Mariana R., prazer!

Um dia eu acordei, me arrastei para o banho e foi mais difícil para entrar no box. Esbarrei o braço na porta. Nunca tinha notado isso. Ué, é o sono.  Eu já tinha notado essa dificuldade em alguns outros momentos. Mas naquele dia eu praticamente me bati para entrar embaixo do chuveiro. Certeza, foi o sono.

Infelizmente, não era. Eu tinha engordado tanto que a porcaria da entrada do chuveiro ficou pequena para os meus “braços de biscoiteira”, que era como eu os chamava. Porque engordar teve muito a ver com a minha personalidade. Eu gosto de cozinhar. Não é que eu me acabei de comer salgadinho. Não foi refrigerante. Não foi o croissant da praça de alimentação da PUC.

Foi a porcaria de um risoto de gongonzola com pêra e redução de balsâmico que eu fiz em uma quinta feira à noite. Jantar trivial, veja bem, assim, rapidinho. Foi jantar picanha assada na manteiga com farofa de banana, chips de mandioquinha e bolinho de arroz, porque, por quê não? Uma delícia fazer e modelar bolinhos de arroz…

Uma vez eu quis fazer um pudim. E eu nunca tinha feito um pudim. Então, por que não fazer um pudim que levava 3 latas de leite condensado? E por que não comer todo esse pudim em, bom, alguns dias? “É para aprender a fazer”, eu pensei. (Na época eu juro que esse raciocínio fazia todo o sentido…).

Nesse dia do chuveiro eu subi na balança digital que tinha em casa e, bem, eu tomei um choque que me fez sentar. Bom, eu também estava cansada de passar todo aquele tempo tomando banho. Levantar o braço me cansava. Sair da cama me cansava.  Viver era algo muito cansativo. De verdade.

Naquele dia fatídico eu quase morri de susto. 98kg. Sim. 98kg. Vamos escrever para ver se vocês entendem: NOVENTA E OITO QUILOS. Quase uma tonelada.  A Shamu provavelmente era menor do que eu, àquela época.

Dezembro 2011

(Dezembro de 2011. E sim, isso é uma cestinha de pão italiano)

Foi o fim. Depois de chorar por uns bons 10 minutos (e ficar sem ar… chorar cansa muito quando se pesa o mesmo que um filhote de rinoceronte) eu resolvi fechar a boca. A Mariana C. estava emagrecendo… porque eu não conseguiria? Em 3 meses, desci para 87kg. Foi uma melhora incrível, “11 quilos!” vocês diriam.

Mas ninguém percebeu. NINGUÉM. NADIE. QUELQU’UN. NOBODY. Eu continuava muito grande. É verdade. Desanimei, estava triste, namorava um babaca… Mas mantive esse peso estabilizado por mais ou menos 4 meses.

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Janeiro de 2012 (87kg)

Foi aí que aconteceu. A melhor coisa que poderia acontecer para uma mulher que quer emagrecer: um pé na bunda. Eu tomei um pé na bunda fenomenal. Federal. Gigantesco. O maior pé na bunda de toda a história da humanidade. O maior pé na bunda das histórias dos pés na bunda deste e dos outros universos desconhecidos, conhecidos e por conhecer.

E, enquanto eu deitava no chão do meu quarto, chorando em posição fetal, batendo a testa na parede e implorando por uma bomba que explodisse meu corpo e acabasse com aquela dor que trucidava o meu coração, algo mágico aconteceu: eu esqueci de comer. Por algumas horas, primeiro. Por uns dois dias, depois.

Meus pais, em pânico, achando que todos aquele uivos e súplicas de “Ah, Meu Deus, me mate que eu não posso mais viver” fossem se tornar realidade, me colocaram em um ônibus com destino ao Rio de Janeiro.

Por duas semanas a única coisa que eu consegui comer foi biscoito de polvilho e picolé de uva.  Um dia eu chorava e tomava um picolé de uva, andando na beira da praia e sofrendo entre lágrimas. No dia seguinte, eu chorava andando pela praia, pensando em como o meu destino era horrível e, entre lágrimas, comia um biscoito de polvilho. Eu andava na praia, chutando areia, com as ondas batendo em meus pés, com a minha vida desabando ao meu redor. Mas eu andava. Era exercício!

Voltei para São Paulo pesando 82kg. Não foi nada saudável. Mas causou muita impressão no meu Ex, acreditem. E eu dei um Senhor Pé na Bunda nele em Julho, saí batendo a porta, o que sempre dá um ânimo.

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Agosto de 2012 (78kg e um melhor amigo)

Foi aí que a segunda “melhor coisa do mundo para uma mulher que quer emagrecer” aconteceu. Sabe aquela cena de Bridget Jones em que toca “I’m Every Woman” da Shaka Khan, com ela na bicicleta ergométrica? Então, aquilo aconteceu. A “Retomada da Auto Estima!”. A “Grande Busca do Amor Próprio”. O “Reencontro da Minha Essência!”. “A Incrível Travessia em Busca do meu Eu” e blablablá.

Essa nova fase começou em Julho do Ano Passado. Desde então eu me esforço para encontrar um ritmo de emagrecimento saudável, incluir exercícios na minha rotina e encontrar sempre motivação.

Minha meta é 60kg e outras coisinhas mais (como correr, em 2014, a Meia Maratona do Rio. Mas isso é assunto para outro post). Ainda falta muito, mas para quem, em Outubro de 2011, pesava o mesmo que um filhote de hipopótamo, está bom demais.

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(Maio de 2013: 73kg)

Vai, Mariana!

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Um pensamento sobre “Mariana R., prazer!

  1. […] é muito legal (se você não leu esse post, leia agora) mas também é uma questão de amor próprio. Estar linda não tem a ver com o seu […]

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