Qual o seu número?

Hoje parei pra pensar no apego que temos com números.

contar-calorias

O número do manequim, o número que a balança indica, o número de calorias do que vamos comer, o número da conta bancária, entre outras maluquices (eu, por exemplo, acho que o número 37 é meu número da sorte e saio caçando ele por aí, mas isso não vem ao caso, rs).

O apego é tão grande que nos esquecemos que eles representam apenas quantidade e que devemos prestar um pouquinho mais de atenção na qualidade. Aí, me peguei pensando na batalha épica quantidade X qualidade.

Round 1:

A fulaninha usa manequim 38. A beltraninha usa manequim 42. Quem é mais magra?

R: A fulaninha!

(Hum… Pensei que gordura/magreza fosse avaliado por IMC, quantidade de massa magra X quantidade de massa gorda. Interessante…)

Round 2:

A fulaninha pesa 58, a beltraninha pesa 70. Quem é mais bonita?

R: A fulaninha. Afinal, quem pesa mais de 60 é gordo e feio.

(Hum… Não sabia que balança avaliava simetria, harmonia, charme, sensualidade… Nem que tinha detector de inteligência/humor… Nem mesmo que tinha um sensor de, tssss, troca de energia/química. Afinal de contas, beleza é baseada só em magreza, certo?)

Round 3:

A fulaninha almoçou um sanduíche natural. A beltraninha almoçou 250 g de lasanha bolonhesa. Quem é mais saudável?

R: A fulaninha, afinal sanduíche natural veio com uma etiqueta “light”, por isso deve ter menos calorias. E lasanha é massa, massa é carboidrato, carboidrato engorda!

(Hum… Achava que a massa, além de nutritiva, não fosse nada perigosa para quem controla o peso, afinal quem cuida da balança malha e quem malha precisa de energia, não? Pensei que o molho de tomate sobre a massa fosse rico em licopeno e ajudasse a prevenir o envelhecimento precoce e afastasse alguns tumores… Pensei que proteína de carne ajudasse na construção de músculos. Mas é ÓBVIO que salpicão de frango é mais nutritivo)

Round 4:

Coca zero ou suco de laranja?

R: Coca zero, claro! Suco de laranja engorda!

(Poxa, pensava que excesso de açúcar, fritura, álcool engordasse e que podíamos considerar os benefícios da vitamina c, dos flavonóides, dos antioxidantes… Achei que evitar o excesso de ciclamato de SÓDIO – proibido nos EUA – também fosse uma boa…)

A batalha não termina. Mas vamos parar por aqui, porque o que queremos é representar o número de escolhas e julgamentos errados que fazemos quando nos baseamos somente em números.

(Tá, e qual é o ponto?)

O ponto é: abandonemos a paranoia.

Vamos deixar de lado o julgamento baseado em números e basear nossos julgamentos em conteúdo.

O corpo ideal e, mais importante, saudável, não é necessariamente aquele que veste o menor manequim ou pesa menos.

A melhor refeição não é aquela que tem menos calorias, mas aquela que tem mais calorias recheadas de qualidade.

Os alimentos calóricos não são, necessariamente, vilões!

Ao questionar o que devemos e como devemos comer, devemos avaliar mais a fundo a questão das calorias e estender a análise para além do valor calórico, avaliando o que, de fato, importa, o valor nutricional.

Mesmo que um alimento seja rico em calorias, isso não significa que  ele irá contribuir para o acúmulo de gordurinhas extras, desde que essas calorias sejam cheias!

Mas, meu bem, o mesmo não acontece com alimentos de baixo teor calórico e ausência de valor nutricional. Isso, sim, pode contribuir para que aquele pneuzinho incômodo infle (quem nunca sentiu fome depois devorar um combo máxi no fast food da esquina?).

Pois é, calorias vazias deixam nosso organismo doidão, fazendo com que ele trabalhe mais do que o necessário na hora da digestão, assimilação e eliminação.

Ok, é fácil falar, mas quem nunca se pegou almoçando alface com “molho” de limão pra poder comer um bolo de chocolate depois?

Tá, de vez em quando, ok.

É… Não é beeem assim. Nosso corpo precisa de energia viva pra manter-se vivo.

Não sou o maior exemplo da vida, sei que estar acima do peso não é saudável, mas… Eu, mesmo estando acima do peso desde que me conheço por gente, nunca tive anemia, nunca (NUNCA) tive o colesterol elevado, nunca fiz cara feia pra salada, nunca (quase nunca) quebro a regra do prato colorido com 50% de salada, 25% de carboidrato e 25% de proteína, nunca tive dificuldade pra subir uma ladeira de bicicleta ou pra correr por 50 minutos seguidos.

Devo mudar muita coisa? Devo.

Quero estar bonita e gostosa dentro de um bikini branco? Quero.

Vou ficar mais cabeçuda pra entrar no bikini M? Não (afinal de contas, o M é o novo PP, rs).

Vou viver de vono sopinha pra atingir meu objetivo? Não.

Vou comer abacate? Sim.

Vou tomar suco de laranja? Sim.

Banana? Com certeza!

E você?

Vai pensar só em ficar gostosa no vestidinho à vácuo ou vai começar a prestar atenção no que põe no prato?

Vai encarar a dieta como forma de entrar na calça jeans ou como forma de manter-se vivo?

Vai lembrar que, além da lataria, é preciso cuidar do motor que move esse avião?

Na dúvida, tenha em mente: nosso corpo é nosso templo e não somente uma vitrine.

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