Arquivo mensal: setembro 2013

Look do Dia – SQN

Eu falei ontem sobre roupa de academia (e fui zoada pelos amigos por ter postado uma foto minha de roupa de ginástica, valeu pessoal! -.- ‘ ) e li comentários no Facebook sobre a dificuldade para encontrar a certa. Por mais que goste de moda, o que sei que fica bom no meu corpo não necessariamente vai funcionar quando se trata de roupa para fazer exercício: a menos que seja possível fazer agachamento com vestidos transpassados de jérsey e eu não saiba, é preciso se adaptar.

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(Muito esportivos – Pós escalada com Paulo e Talita – Foto de Abril desse ano,  estou usando camiseta da Decathlon e Casaco do Wal Mart – PHYNA)

Eu poderia ir para a academia de pijama. E eu já fui ou com a parte de baixo ou a parte de cima umas duas vezes. Guilty as charged. Isso por duas razões, sendo que a primeira é uma preguiça absurda que me consome ás 5:50 da manhã – que é o horário que acordo para ir à academia – e a segunda: ROUPA DE GINÁSTICA É CARA PRA CARAMBA.

Porque, assim, eu me sinto culpada de gastar 50 reais em uma camiseta que vai ser usada para suar, sendo que posso gastar 50 reais em comida em uma blusinha para aproveitar a vida de uma forma mais agradável.  Então a minha solução foi comprar leggings, camisetas básicas daquelas de 10 reais, e c’est fini. Meu problema é lembrar que eu já tenho 6 camisetas cor de rosa antes de comprar mais uma.

Eu compro roupas de ginástica na Marisa, na Decathlon ou no Supermercado mesmo. Me disseram que é a mesma confecção que faz para a Marisa, C&A e para os supermercados, o que explica um pouco da falta de opção e como tudo é meio parecido.  Eu gosto MUITO das camisetas da marca própria da Decathlon, e todas tem um preço bem acessível, preciso passar lá em breve, em nome do espírito investigativo bloguístico, claro.

Por enquanto, os  looks bonitinhos para academia, com marcar melhores, ficam só na minha imaginação. Deem uma olhada!

 

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A parábola da saia de corrida

Há um tempo eu estava conversando com a Mari C. e ela comentou como queria usar uma saia de corrida. Saias de corrida estão na moda, são lindas, fofas, femininas e, cara, se elas conseguem deixar a Serena Williams linda, porque não euzinha?

 

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(Serena Wlliams mostrando toda a usabilidade de uma saia esportiva)

Eu sou uma entusiasta de porcarias e trecos e apetrechos. Tenho uma garrafa roxa de listra lilás para ir pra academia. Eu uso meias do Harry Potter para correr, sabe. É claro que qualquer coisa diferente parece ter uma seta em neon para mim.

Bom, problema era achar uma saia de corrida que coubesse nas minhas coxas de devoradora de polenta com ragu de calabresa. E a questão é que não tinha. Experimentei de vários lugares, de vários tipos, marcas, cores e tecidos… e acabei desencanando. Virou um desejo da lista de coisas que queria em longo prazo.

Comentei com a minha mãe sobre esse desejo no final de semana e quarta feira cheguei em casa e encontrei um pacotinho com uma saia de corrida. Presente a mamã. Pretinha, básica, linda, fofa.

(Um parêntese. Minha mãe é a maior incentivadora das minhas atividades físicas. Ela vai comigo para a academia, ela está sempre ao meu lado vibrando a cada quilo perdido. Meu primeiro tênis de corrida foi presente de Natal dela. Assim como parte das minhas roupas de exercício. Obrigada! <3).

Aí eu olhei a saia, eu segurei a saia e eu abri o berreiro. É claro que ela não caberia em mim. Era pequena demais, lindinha demais, não, não era para mim. Levei a saia até ela e agradeci, entre lágrimas, a tentativa.

“Você experimentou?”, ela perguntou. “Não mãe, conheço meu corpo, não vai caber”, eu respondi, contendo um soluço super dramático, de forma que ela pudesse compreender a dimensão do pesadelo que é procurar roupas quando se está fora do padrão. “Experimenta logo!”, ela berrou, super gentil. E eu, que sou esperta, obedeci.

Coube. E ficou linda (#modéstia). Então o que eu queria dizer é que às vezes a gente acha que algumas coisas boas são para os outros. Que a gente não merece algo e é o medo de tentar que nos separa da realização de um desejo. Foi só uma saia de corrida, mas também foi a alegria de riscar mais alguma coisa da listinha de to-dos.  E eu vou valorizar cada pequena conquista
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 (o rosto vermelho é pra combinar com a cor da camiseta – tinha corrido 3k depois da musculação)

Quem tem medo de gente bonita?

Quando eu percebi que realmente meu peso era um problema, em Setembro de 2011, eu decidi fazer dieta, cortar os açúcares e tentar ser uma pessoa mais saudável. Mas não passou pela minha cabeça fazer academia. Porque eu achava que estava gorda demais para ir para fazer exercício. O meu raciocínio era: preciso emagrecer para poder ir para a academia.

E tem os sarados da academia. Eu tinha medo daquelas pessoas. Só quem já sofreu bullying por estar acima do peso entende o desafio que é colocar os pés dentro de uma academia e suar na frente de um monte de gente com o corpo lindo. O que eu sentia era que eu não merecia estar ali. Que eu estava completamente deslocada do lugar correto. Que meu lugar não era ali, mas sim em alguma biblioteca.

Eu não sou uma pessoa tímida. Costumo ser quieta com gente que não conheço, mas logo que me sinto minimamente enturmada já estou tocando o terror, conversando, rindo, chamando para ir para o bar.  Depois de um ano de academia, só agora que eu consigo conversar com as pessoas, falar bom dia, pedir ajuda. Eu não fazia nem musculação: ficava com vergonha de ter que olhar para as pessoas. Ainda não sei o nome de ninguém, não fiz nenhum colega, mas espero que isso mude.

O problema é que eu tenho preconceito com bonitos. Sim. Eu sou dessas patetas que acha que gente sarada, bonita, é gente que tem tempo demais de sobra para dedicar ao corpo e que, por isso, não pode ser interessante. Um dia, enquanto eu corria  (ahahaha, olha o timing) o cara mais fortão da academia (e que eu sempre julguei de babaca por isso) passou com uma camiseta do Harry Potter. Eu sei que Harry Potter não é nada demais, mas, olha, eu venero Harry Potter, só conheço gente legal que gosta de Harry Potter.  E o cara achou uma camiseta do HP que coube nele, isso demandou esforço, ele tem que REALMENTE gostar de Harry Potter.

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Dumbledore Curtiu Isso

Ás vezes a gente acha que exercício e um corpo mais “dentro do padrão” são para os outros, e que todo tipo de “culto ao corpo” é coisa de gente fútil, não tão inteligente quanto à gente. Eu achava. Isso me confortava e “Pelo menos eu sou inteligente, não preciso ser bonita” era um pensamento recorrente meu. Demorou para que eu percebesse que, bem, isso é uma bobagem. Eu sempre condeno pessoas que classificam e criticam as pessoas por aparência física, mas eu mesma fazia isso, no critério inverso. Cadê a razão nisso?

Inclusive o moço da Camiseta do Harry Potter apareceu hoje com a camiseta da Elétrica da Poli e ontem estava com uma do Inuyasha. Tô achando que vou fazer meu primeiro amigo.

Eu não consigo emagrecer!

E além disso tenho um talento inigualável pra engordar.

Esse ano bati meu recorde.

Sabe aquelas semaninhas de frio? De friozão?

Então.

Fui eu, linda e maravilhosa me atolar debaixo de roupa e um casaco que ficava largo no inverno passado não fechou.

Pensei: olha só, dei uma engordada. Que coisa!

Não me pesei.

E continuei comendo.

Posso me justificar e dizer que até julho foi tudo muito difícil. Empacado. Uma bela duma porcaria. E por isso fiquei com dó de mim e me afoguei na comida.

E quando eu estava prestes a explodir… As coisas mudaram.

Uma portinha se abriu e a vida voltou a ter cor! Voltou a ter cor e continuou tendo muito sabor (ops!).

Continuou fazendo frio e eu precisei de um casaco novo porque os antigos não fechavam. Putz.

Pensei em voltar pra academia quando o frio aliviasse, mas não deu.

Cansei de me vestir de preto e usar legging e resolvi parar de adiar e voltar pra academia.

Ok. Fui fazer avaliação física e PÁ! SURPRESA: engordei 8 kilos em 2 meses.

8. OITO!

Atingi uma casa decimal nunca antes atingida. F#DEU.

Me bateu um medo e um desespero. Fiquei assustada e resolvi entrar na linha.

Natação, corrida, musculação: perdi 3 kilinhos em 1 mês! Uhuw!

Passado o primeiro mês me vi derrapando de novo. Uma cervejinha aqui. Uma porçãozinha acolá. E parei de emagrecer.

Nisso encontrei uma amiga que perdeu 7 kilos. Linda. Magrinha.

Peguei umas dicas com ela e (re-re-re-re)comecei.

PÁ! Menos 2 kilos em 1 semana!

Menos 1 na semana seguinte!

Como?

Dieta Dukan.

Proteína e laticínios magros.

Mas… Estacionei nessa semana (a 3a da dieta).

Fiquei puta porque só como proteína há 15 dias e achei INJUSTO engordar sem fazer por onde. Mas isso não vai me deixar mais magra e pode me fazer voltar praquela casa decimal que me deixou assustada.

Então resolvi entender o porquê da estacionada (e descobri que não estava seguindo tudo 100% à risca) e vir pra cá desabafar, buscar um pouquinho de inspiração (e confete).

Façam-me o favor?

 

 

 

 

 

Quero uma medalha sim, obrigada!

Desde pequena nós, meninas, somos ensinadas a ter vergonha ou menosprezar nossas habilidades. Boa menina é aquela que não fica esfregando na cara do coleguinha as notas mais altas, que não fala para todo mundo o que consegue fazer de diferente, e que nunca, nunquinha, vai se gabar de ser melhor ou ter conseguido algo que os outros não conseguem: uma boa menina não sente orgulho nenhum do que faz, porque não faz mais que sua obrigação.

Semana passada eu consegui correr 6km em 35 minutos. Gente, vocês não entendem a sensação de completude que eu tive quando estava ali, em cima na esteira, a 12km por hora, correndo até as pernas quase caírem: ali, em cima daquela esteira, às 6:40 da manhã de um dia nublado, eu me tornei a minha própria heroína pessoal. Tornei-me alguém de quem eu tenho orgulho, e foi uma conquista muito suada, desejada e esperada.

Tirei uma foto do contador do aparelho, mandei para os amigos de corrida, postei no twitter e, alguns minutos depois, vi um comentário do tipo “Nossa, vocês não conseguem ir para a academia sem se acharem algum tipo de campeão? Quer uma medalha, champs?”. Não foi para mim, a pessoa nem me segue no twitter. Mas achei uma babaquice sem fim.

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(Beyoncé também achou)

Será que nós somos tão educados assim para menosprezar os nossos feitos? Será que essa necessidade de modéstia e humildade realmente traz algo bom para a nossa vida?

Sempre vejo cartazes motivacionais por aí, com fotos de antes e depois, com close up de músculos, com histórias emocionantes sobre como as pessoas são incríveis e como você devia se inspirar nelas.

Mas, o que te impede de ser, você mesmo, a sua própria motivação? Você devia olhar para você, para as coisas maravilhosas que aconteceram por seu esforço, pelo seu mérito, e usar a lembrança disso como inspiração. Você pode sim ser o seu próprio herói.

Mesmo que o seu feito pareça menor, que o esforço que você teve seja menor em relação ao das outras pessoas. Ele é o seu esforço. E eu acho, sim, que você devia ter muito orgulho disso.  Faz bem.

ps: Sobre este assunto, remeto à Beyoncé

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