Arquivo mensal: junho 2014

Porque se amar não é fácil.

Toda vez que alguém me pergunta “Por que você não posta mais”, eu tento explicar em poucas palavras um sentimento muito vasto que me invadiu desde o ano passado. Eu digo “Eu não sei mais se quero emagrecer”, mas o que queria mesmo dizer era “Amiga, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: eu conheci gente demais com distúrbio alimentar, tenho medo de escrever algo que faça com que outras mulheres acreditem que devam emagrecer a qualquer custo, ou fazer com que alguém tenha vergonha do seu corpo

Eu tenho medo de influenciar alguém negativamente. E eu tenho esse medo porque, como a maior parte das mulheres, eu julgo meu corpo muito severamente, usando como parâmetro modelos photoshopadas ou confecções que, com o intuito de economizar dinheiro com tecido (sério, acredite em mim), transformaram o antigo 36 no novo 40.

Eu reli alguns dos textos que escrevi no Vai, Mariana, e não tive certeza se o que transparecia aqui era a minha busca pelo equilíbrio, pela retomada da minha auto-estima, e, principalmente, que a minha constituição física não deveria ter nada a ver com essa jornada, mas que, por muitas razões emocionais,  tem sim. E, opa, isso é um problema.

Eu tremo de alegria quando alguma amiga me chama de magra. Quando dizem que emagreci? Abro um sorriso enorme. Busco, nessa validação boba, a certeza de que eu estou mais próxima a um padrão, e, assim, consigo acreditar por algum tempo que eu sou bonita. E isso é um problema.

É um problema nós, mulheres, acreditarmos que o nosso peso deva influenciar na forma como as pessoas nos enxergam.  É um problema também permitir que o mundo nos trate mal porque temos sobrepeso. Meu medo é não deixar claro, em cada post, que as minhas palavras não tem o intuito de convencer ninguém a emagrecer, mas sim dividir uma caminhada de reconstrução do amor próprio, que não tem que passar pelo peso, necessariamente.

Eu não quero ser gordofóbica, não quero ser machista e não quero mais acreditar que emagrecer vai ser a solução definitiva dos meus problemas. Porque, oi? Nem que eu entre na equação da Gisele Bundchen  (vocês leram essa entrevista da Jana Rosa?) eu vou estar padrão das revistas, já que aquelas mulheres não existem, são fruto da imaginação distorcida de alguns designers por aí.

Então eu resolvi mudar o slogan do Blog. Porque, se amar, nesse mundo onde as mulheres são constantemente analisadas, reduzidas e diminuídas de todas as formas, até fisicamente nas páginas das revistas, não é nada fácil. E não é um projeto. Nem pode ser. Contei para vocês que uma blogueira que não gosta de gordos me bloqueou no Instagram quando eu comentei em uma foto que achava que ela estava sendo desrespeitosa?

É difícil mudar um mundo. Mas vamos juntas.

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