17, 18, 19…20!

Um dia eu cheguei à academia e tinha um instrutor novo. Um cearense alto de olhos claros e um sorrisão enorme no rosto, agasalhado do frio de São Paulo até às orelhas em um dia que eu estava de legging e camiseta, distribuindo bom humor 6 e 10 da manhã. O instrutor novo parecia bonzinho, mas mudou radicalmente meu treino, para algo bem mais puxado. E agora a sequência de exercícios deixou de ser “3 séries de 15 repetições”, para se tornar “4 séries de 20 repetições intercaladas com outro exercício de 4 séries de 20 repetições que deverão ser feitas no intervalo entre a primeira série”.

E nooooooossa, é difícil.

E é difícil não porque dói, e olha que dói sim, mas porque eu não tenho o menor controle mental para as últimas três repetições de cada série.  Eu faria eternamente as primeiras oito repetições de cada exercício, se pudesse pular as três ultimas. É preciso algo maior do que força para, com o braço tremendo e uma gota de suor escorrendo da testa para a borda do óculos, você consiga fazer as três últimas repetições de uma série de exercícios.

Sei que o braço aguenta, que a dor vai passar e que o desconforto é passageiro: é que as três últimas repetições não esgotam o músculo, mas testam o meu coração. Correr os últimos 100 metros depois de ter corrido 9,9 km é a parte mais difícil. Não por conta da distância, mas porque a minha cabeça desiste sempre muito antes do meu corpo. E ela nunca para de desistir. E desistir. E desistir. E de novo ainda desistir.

 

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Faço 1, 2, 3, 4, 5, e penso “Nossa, poderia fazer isso sempre!”. Faço 6,7, 8 e digo para mim mesma “Estou mandando muito bem!”. Faço 9, 10, 11, 12, 13 e me convenço que sou mais forte que eu imaginava. Faço a repetição 15, 16 e 17 pensando “Mais um, só mais um”. Mas quando faço a 18, 19 e a 20, e tudo que consigo pensar é que exercício não leva a nada. Que sou enorme, que nunca vou conseguir alcançar as minhas metas. Que nem 20 repetições de um exercício eu consigo fazer. Que repetir a mesma coisa não vai adiantar nada, vou sempre ser a mesma horrorosa (mesmo quando o meu corpo não deveria ter nada a ver com a minha auto imagem)

Eventualmente o meu lado Ruth ganha, e com braços ou pernas tremendo e com o rosto vermelho, eu posso correr para o outro aparelho e voltar a me divertir. Pelo menos até a próxima 17ª repetição.

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2 pensamentos sobre “17, 18, 19…20!

  1. Isadora - disse:

    enquanto isso, eu aqui: não consigo nem andar até a academia pra me MATRICULAR. vc é minha musa fitness, Mari ❤

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