Quem não estaria?

Que estamos todos doidos, isso é fato. Quem não estaria?

Com o mundo no modo aleatório (não me deixe começar a falar sobre o Trump ou o Macron, eu não seria capaz de parar) e o Brasil no modo hospício (não me deixe começar a falar de Temer, Aécio, Lula, Dilma ou daquele prefeito que não deve ser nomeado), sinto que acabo todos os dias exausta.

Exausta pelo peso da existência em um mundo onde meu salário paga cada vez menos, tenho cada vez menos poder na minha relação de emprego, tenho cada vez mais responsabilidades e, na mesma proporção, menos chance de corresponder a essas obrigações, exausta é pouco.

Eu estou diariamente sendo arrasada pelo peso das coisas. Sinto que a palavra certa seria overwhelmed , que significa “levada a ruína por uma grande onda que a submerge”. É mais isso do que arrasada, rs, porque me sinto lavada e arrastada pelos acontecimentos da política e economia.

Num mundo onde, provavelmente, estarei mergulhada em água de degelo das calotas polares e dívidas em menos de 10 anos, parar para pensar no meu pobre corpo parece quase uma subversão: como eu vou continuar comendo abacate se mal consigo pagar o aluguel? Fazer academia? Blasfêmia.

Parece egoísta demais, não?

Acontece que, assim como se amar nesse mundo doido pode ser considerado um ato subversivo – e de luta contra esse establishment doido que se nutre e lucra com o nosso (des)amor próprio – cuidar de si mesmo quando está tudo doido é um ato de amor ao próximo: já está tudo muito ruim para que você contribua para o desequilíbrio do universo e das pessoas que te cercam, emanando energia ruim, ficando doente, impactando o meio ambiente, causando mais descaralhamento nesse mundo completamente descaralhado.

Sabe efeito manada? Acho que devemos fazer um esforço para evitar reagir (sentir?) a loucura do mundo, pela nossa própria sanidade. Pela sanidade e pela possibilidade de mudança das coisas.

Não quero dizer que se deva ignorar o estado das coisas e seguir como se nada estivesse acontecendo. Na verdade, muito pelo contrário, acho mesmo que temos obrigação de tentar reverter essa situação, seja saindo às ruas, twittando, escrevendo, fazendo jejum, se acorrentando às grades do Congresso, o que quer que seja que você acredite mais eficaz. Faça, faça algo. Mas não, não cause mais dano, por favor.

Se acreditamos de verdade que devemos ser a mudança que queremos ser no mundo, talvez seja bom garantir que a casca que vivemos seja um reflexo dos nossos valores e nossas ações, ao menos, não perturbem ainda mais um mundo perturbado o suficiente. Não só porque ninguém precisa de mais confusão, mas também, e principalmente, porque o que o tempo que vivemos exige e exigirá cada um de nós é o nosso melhor. É preciso estar atento e forte.

Proteger a casca em que vivemos das intempéries da vida se torna uma necessidade de sobrevivência. Não perca a sua cabeça, não deixe que o mundo te arraste. Pelo bem de todos que te cercam, não perca a cabeça.

PS. Se tem algo que acredito é que estamos sempre indo: a algum lugar, ao encontro de alguém, ao fim, ao começo, não existe um momento da vida em que não estejamos caminhando para algum lugar (mesmo parados, a terra está aí, girando, e a gente gira junto). Eu estava indo, voltei, vamos.

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