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BEDA 1: O fim de um começo. O começo de outro.

Ter um blog que trata de bem estar e vida saudável faz com que você se sinta uma impostora o tempo todo, já que não é o tempo todo que você quer ser saudável. Que consegue ser saudável. Que está bem. Eu comecei a escrever vários posts nunca postados aqui, durante os últimos meses, mas a verdade é que me sentia uma mentirosa a cada palavra.

Não sei como as blogueiras fitness fazem para viver sempre em harmonia consigo mesmas, sempre em paz, sempre zen: aqui no mundo onde a cabeça coordena o todo e a alma procura um jeito de escapar, eu sinto no meu corpo os sinais de que nem tudo está tudo bem.

Com o passar dos anos (e muitos anos, uma vez que estou na esquina dos 30) percebi que meu peso varia conforme os meus sentimentos. Eu como emocionalmente, reação às coisas que me rodeiam, ao que sinto, a como me vejo no ambiente a minha volta: o caos de fora reflete o caos de dentro (e vice versa)

É preciso calar o ruído, se afastar do que traz o caos, silenciar o sabotador. É preciso coragem pra ser o que se quer, ter quem se quer, trabalhar pelo que se deseja no fundo do coração, mas não tem coragem de exteriorizar. É preciso mais do que confiar e lutar pelo próprio corpo.

Pensei muito sobre isso, e decidi tomar muitas decisões drásticas no último ano. Com isso, minha aparência deixou de ser uma prioridade. Academia? Preparar marmita? Não era possível. Eu tive que juntar os pedacinhos do meu coração após o fim de um relacionamento. Encarar o que realmente desejo para a minha vida profissional e tomar decisões que permitam que eu chegue onde quero chegar.

E bem, isso refletiu no meu peso. Dos 38 quilos que perdi entre 2012/2013, recuperei 20 até minha última pesagem.  É muito. Eu sinto falta da minha capacidade de correr. Da alegria em acordar cedo. Da rotina que eu sentia como sucesso. Vou tentar novamente.

Afina, o que a gente é além de vontade de ser?

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Quem não estaria?

Que estamos todos doidos, isso é fato. Quem não estaria?

Com o mundo no modo aleatório (não me deixe começar a falar sobre o Trump ou o Macron, eu não seria capaz de parar) e o Brasil no modo hospício (não me deixe começar a falar de Temer, Aécio, Lula, Dilma ou daquele prefeito que não deve ser nomeado), sinto que acabo todos os dias exausta.

Exausta pelo peso da existência em um mundo onde meu salário paga cada vez menos, tenho cada vez menos poder na minha relação de emprego, tenho cada vez mais responsabilidades e, na mesma proporção, menos chance de corresponder a essas obrigações, exausta é pouco.

Eu estou diariamente sendo arrasada pelo peso das coisas. Sinto que a palavra certa seria overwhelmed , que significa “levada a ruína por uma grande onda que a submerge”. É mais isso do que arrasada, rs, porque me sinto lavada e arrastada pelos acontecimentos da política e economia.

Num mundo onde, provavelmente, estarei mergulhada em água de degelo das calotas polares e dívidas em menos de 10 anos, parar para pensar no meu pobre corpo parece quase uma subversão: como eu vou continuar comendo abacate se mal consigo pagar o aluguel? Fazer academia? Blasfêmia.

Parece egoísta demais, não?

Acontece que, assim como se amar nesse mundo doido pode ser considerado um ato subversivo – e de luta contra esse establishment doido que se nutre e lucra com o nosso (des)amor próprio – cuidar de si mesmo quando está tudo doido é um ato de amor ao próximo: já está tudo muito ruim para que você contribua para o desequilíbrio do universo e das pessoas que te cercam, emanando energia ruim, ficando doente, impactando o meio ambiente, causando mais descaralhamento nesse mundo completamente descaralhado.

Sabe efeito manada? Acho que devemos fazer um esforço para evitar reagir (sentir?) a loucura do mundo, pela nossa própria sanidade. Pela sanidade e pela possibilidade de mudança das coisas.

Não quero dizer que se deva ignorar o estado das coisas e seguir como se nada estivesse acontecendo. Na verdade, muito pelo contrário, acho mesmo que temos obrigação de tentar reverter essa situação, seja saindo às ruas, twittando, escrevendo, fazendo jejum, se acorrentando às grades do Congresso, o que quer que seja que você acredite mais eficaz. Faça, faça algo. Mas não, não cause mais dano, por favor.

Se acreditamos de verdade que devemos ser a mudança que queremos ser no mundo, talvez seja bom garantir que a casca que vivemos seja um reflexo dos nossos valores e nossas ações, ao menos, não perturbem ainda mais um mundo perturbado o suficiente. Não só porque ninguém precisa de mais confusão, mas também, e principalmente, porque o que o tempo que vivemos exige e exigirá cada um de nós é o nosso melhor. É preciso estar atento e forte.

Proteger a casca em que vivemos das intempéries da vida se torna uma necessidade de sobrevivência. Não perca a sua cabeça, não deixe que o mundo te arraste. Pelo bem de todos que te cercam, não perca a cabeça.

PS. Se tem algo que acredito é que estamos sempre indo: a algum lugar, ao encontro de alguém, ao fim, ao começo, não existe um momento da vida em que não estejamos caminhando para algum lugar (mesmo parados, a terra está aí, girando, e a gente gira junto). Eu estava indo, voltei, vamos.

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Buddha Bowl (ou a persistência da comida boa)

Entre as coisas que resolvi fazer para transformar meu corpo num templo está comer comidas frescas, cruas e em porções que me deixassem em paz, pelo menos em uma das refeições do dia. Afinal, do que adianta comer bem se comi pouco e fiquei desesperada para continuar comendo mal pousei o garfo?

Tenho uma ansiedade ligada a comida que não passa. Por ser um assunto que me interessa muito – eu gosto de ler, escrever e estudar comida – passo tempo demais pensando nisso. Poder fazer refeições maiores, mesmo que signifique menos caloria por ingrediente, é uma boa saída para acalmar o coração.

Em uma das minhas rondas gastronômicas no Pinterest (já me segue lá?), fui apresentada às Buddha Bowls, ou “tigelonas do equilíbrio”, como decidi começar a chamá-las agora que vou passar a almoçar isso todo os dias. As tigelonas são construídas sempre da mesma forma:

Uma porção de grão (quinoa, feijão, arroz integral…) + Uma porção de proteína (carne, ovo, grão de bico…) + Vegetais (cenoura, beterraba, abóbora, brócolis, se joga) + Toppings (pimentão, cebola, abacate, azeitonas…) + Molho (azeite, iogurte, mostarda…)

Minha primeira tentativa foi uma quinoa com guacamole – Cozinhei a quinoa e misturei com 1/2 avocado, um tomate, meia cebola, uma colher de azeite, suco de um limão e uma pimenta malagueta. Comi com um ovo cozido além do ponto (esqueci cozinhando). Não ficou lindo, mas ficou delicioso. Espero que as próximas tentativas tenham mais legumes. Vou subindo as fotos no meu Instagram, acompanhe lá!

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“O livro dos eventos está sempre aberto no meio”

Ouvi, não sei onde, que “quem não recomeça todo dia não termina nada”.  Sempre acreditei nisso. Mas inventei tantos começos durante a vida que às vezes me sinto parada no tempo, sempre começando. Outras vezes, acho que aproveitei demais de tudo que me foi oferecido. Não guardo mágoas, “afinal cada começo/é só continuação/ e o livro dos eventos/está sempre aberto no meio” (poema lindo da Szymborska, Amor à primeira vista).

Toda essa abertura para dizer que ontem fui ao dentista, na tentativa de resolver meus problemas com DMM, ou “dor do músculo mastigatório”, uma condição chata que me dá enxaquecas constantes. Tive uma longa conversa com o dentista sobre o problema – que é uma combinação de problemas com stress, predisposição genética e outras cositas más – que, durante a anamnese, perguntou sobre o meu peso. É de mastigação que estávamos falando, afinal.

Bom, postei aqui (ao que parece um milhão de anos atrás), que não gosto de falar sobre esse tipo de número. Claro que uma das razões é o fato de que não é um número com o qual estou confortável. Mas a razão maior é que o meu peso não determina nada sobre mim a não ser a correlação do meu corpo com o sistema métrico internacional, apesar de todas as coisas ao contrário que são sugeridas.

Estabelecer um número na balança como uma característica minha parece uma bobagem tão grande quanto dizer que a cor de uma das minhas camisetas pode me definir. As roupas e o peso são mutáveis. Vamos todos engordar, emagrecer, envelhecer, e, a menos que os cientistas corram com seus estudos, vamos todos morrer mesmo. Outras coisas ficarão, nossas impressões no mundo permanecerão aqui e, algo me diz, não terão ter nada a ver com o número gravado na balança no nosso último dia.

É difícil, porém, separar o meu valor quanto pessoa do meu peso. E tão difícil de escrever, verbalizar, tornar isto um fato, mas é essa a verdade: nesse mundo doido em que estamos, em que todo mundo diz o tempo todo que ser magro é bonito, é demonstração de disciplina e característica de pessoas de sucesso, que não tem roupa para todos os tipos de corpos nas lojas e onde postar fotos de si mesma, sendo gorda, é uma transgressão, é claro que meu peso me diz que eu sou menos. Menos que quem é mais magra.

É uma construção cultural? Sim. Eu tenho consciência disso? Também. Ainda me sinto desconfortável? Com certeza. À minha volta foi construído um mundo que me diz que eu sou estranha, que eu não sirvo. E negar isso é um esforço diário, um conflito com as minhas tentativas de chegar a um peso que me agrade.

Isso porque o raciocínio de tudo é manco: se não estou confortável com meu corpo e isso também é um reflexo de uma sociedade que me nega, como eu vou dizer que quero emagrecer sem dizer que estou atendendo também essa ordem social?  Tudo alimenta a insegurança; o quanto é meu e o quanto é do outro? O quanto eu quero e o quanto sou levada a querer?

A verdade é que, listando minhas metas para a mudança de década que se aproxima, escolhi um caminho do meio (terceira via até no emagrecimento): vou me esforçar para chegar a um peso confortável e continuar sendo crítica à realidade que me força a enxergar como uma estranha. Quero ter uma relação diferente com meu peso, algo mais “meu corpo é um templo sagrado e eu devo oferecer o melhor” e menos “eu quero usar o vestido X no dia tal”.

No final das contas, se eu quero viver tempo suficiente para deixar uma impressão no mundo, é melhor que meus joelhos me levem até lá.

 

Ana

Poética, pág. 304, Ana Cristina César

 

Janeiros… Fevereiros.

Estou há um mês trabalhando sozinha, de casa, com clientes amigos e amigos clientes. Cada caso é muito especial, cada cliente é único, e eu nunca me senti tão satisfeita, e apesar de no momento minha conta bancária estar mais para monge franciscano que advogada, a calma e a tranquilidade compensam.

Pela primeira vez desde 2003 eu tenho tempo para mim (nossa, que horror pensar nisso!) e o resultado de mais essa mudança, por enquanto, foi perda de peso e idas tão constantes à academia que os professores aprenderam meu nome depois de dois anos.

Ser conhecida pelos instrutores é incrível quando você precisa de um incentivo e péssimo quando se está em uma sala cheia onde ele só a conhece, porque grito repetidos de “VAAAAAAAAAAAI MARIANAAAAAAAA” passaram a acontecer diariamente.

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(Você não vê a diferença? Olha de perto… meu cabelo está crescendo 🙂 )

Meu treino de musculação mudou para séries mais complexas e longas, com aumento de carga durante a série e de acréscimo de repetições. Com o tempo disponível, passei a fazer outras aulas além do meu sagrado spinning de sábado de manhã: por enquanto, Circuito e Rubber (quase um Trx), aulas que queimam tudo e fazem com que eventualmente eu suba o ônibus em passinhos de idosa.

Circuito é amor, mas o Rubber é desespero. Imagina um elástico bem tenso. Agora imagina segurar esse elástico no seu pé. Agora imagina elevar as pontas desse elástico acima da sua cabeça lentamente, descer lentamente, elevar lentamente, até que você deseje que esse elástico estoure logo pelo amor de Deus, durante pelo menos 40 minutos.

Eu estou feliz e meus braços estão cansados. Acho que é uma excelente combinação ❤

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Vem, 2015

Quando deu meia noite e os fogos começaram a explodir do lado de fora da sala de casa, eu abri um berreiro digno de filme mudo, com direito a caretas e choro sem som, sabe como é? Choro de felicidade, choro feio, que ninguém entende, meio rindo e meio chorando?

Como abridora oficial de garrafas de bebida da família, foi chorando mesmo que eu abri o champanhe (abrindo a rolha no dente, uma técnica sem classe alguma, mas efetiva para caramba #dicas), foi chorando que servi bebida nas taças de todo mundo, e foi chorando que beijei o L. E abracei a família, desejando que 2015 seja um ano bem mais doce para nós (e entornei duas taças de champanhe só para garantir a doçura do momento).

2014 foi um ano que começou em janeiro de 2012, quando a minha vida deu o 180º que contei para vocês. Quando os fogos explodiram, foi como se selassem o fim de muita coisa na minha vida: eu esperei até o primeiro segundo de 2015 para que 2012 terminasse, e é uma delícia me despedir dos problemas que carreguei até aqui, sabendo que agora tudo ficou para trás.

2015, por exemplo, começou em 2007: ano que entrei no curso de Direito na PUCSP, e que terminei meu primeiro relacionamento, certa de que (1) a vida é grande demais para viver só para si e o mundo um lugar pequeno demais para que eu não posso gerar algum impacto; e (2) Que se um ~amor~ dá mais trabalho que alegria, tem alguma coisa errada.

Lá se foram sete anos até que eu conseguisse reencontrar o caminho da Mariana de 19 anos (e olha que ela só queria duas coisas!), mas eu consegui. Então foi por isso que chorei: porque a porta pela qual eu sempre quis entrar se abriu com o primeiro minuto de 2015. E esperei muito para atravessá-la.

Então só me resta dizer: Vai, Mariana.

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Sobre ser um vira lata preto

Um dia a Julie me mandou uma mensagem dizendo que tinha pegado um cachorro na rua. Ela não escolheu pegar o Corvão (eu te juro que esse é o nome temporário que ela deu pro cachorro. É minha amiga, vocês querem o quê?), ela simplesmente abraçou o cachorro e correu com ele pro veterinário. Algumas coisas não devem ser pensadas duas vezes. Principalmente quando a vida de alguém está em perigo.

Ela não adotou o Corvão. Ela resgatou o danado num dia de frio, chuva, em que ele estava encolhido num canto tremendo de dor e de fome. A intenção dela era medicá-lo, apresentar o bichinho para os amigos, e esperar que alguém se apaixonasse por ele. Porque, claro, essa é a única razão para você ter um cachorro: porque você se apaixonou. Não é porque Pugs e Buldogues Franceses estão na moda, ou porque um Golden Retriever um dia apareceu no filme Marley e Eu, apesar do que as pessoas pareçam pensar.

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Mas o tempo foi passando e o Corvão ainda está sob guarda da Julie. Ele acabou de ser castrado, e ainda assim não conseguiu uma casa. Rola campanha, compartilhamento dos amigos no Facebook e tudo. Ninguém se apaixona pelo Corvão. Não é fácil amar um vira lata preto orelhudo.

E eu sei que se ele não encontra uma casa é porque o Corvão é um vira-lata preto. E sei porque sou um vira lata preto também. Quem é vira lata preto sabe. Sabe que é vira lata preto e que o mundo é dos labradores amarelos.  Que a gente anda encostado nas paredes, se escondendo do mundo, porque é assim que as coisas são: e que o lugar dos vira latas pretos é menor que o dos Golden Retrivier Dourados. Eu entendo o Corvão.

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Se eu pudesse escrever algo que o Corvão pudesse entender, eu pediria para ele esperar, e não perder a esperança. Um dia ele vai achar alguém que possa amar suas orelhas pontudas, seu olhar doce, amar os poucos latidos que saem dele, assim como eu encontrei alguém que vê qualidade em alguns dos meus defeitos.

Se eu pudesse prometer algo para o Corvs, seria que quem ama um cachorro preto, ama de verdade. Você pode até se atrair pela bela pelagem de um labrador amarelo, mas só quem se enxerga de volta no pêlo preto de um vira lata sabe o que é amor de verdade.

E quem sabe, Corvão, exista um lugar onde nós, vira latas pretos, tenhamos todos alguém para amar?

 

Corvão

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17, 18, 19…20!

Um dia eu cheguei à academia e tinha um instrutor novo. Um cearense alto de olhos claros e um sorrisão enorme no rosto, agasalhado do frio de São Paulo até às orelhas em um dia que eu estava de legging e camiseta, distribuindo bom humor 6 e 10 da manhã. O instrutor novo parecia bonzinho, mas mudou radicalmente meu treino, para algo bem mais puxado. E agora a sequência de exercícios deixou de ser “3 séries de 15 repetições”, para se tornar “4 séries de 20 repetições intercaladas com outro exercício de 4 séries de 20 repetições que deverão ser feitas no intervalo entre a primeira série”.

E nooooooossa, é difícil.

E é difícil não porque dói, e olha que dói sim, mas porque eu não tenho o menor controle mental para as últimas três repetições de cada série.  Eu faria eternamente as primeiras oito repetições de cada exercício, se pudesse pular as três ultimas. É preciso algo maior do que força para, com o braço tremendo e uma gota de suor escorrendo da testa para a borda do óculos, você consiga fazer as três últimas repetições de uma série de exercícios.

Sei que o braço aguenta, que a dor vai passar e que o desconforto é passageiro: é que as três últimas repetições não esgotam o músculo, mas testam o meu coração. Correr os últimos 100 metros depois de ter corrido 9,9 km é a parte mais difícil. Não por conta da distância, mas porque a minha cabeça desiste sempre muito antes do meu corpo. E ela nunca para de desistir. E desistir. E desistir. E de novo ainda desistir.

 

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Faço 1, 2, 3, 4, 5, e penso “Nossa, poderia fazer isso sempre!”. Faço 6,7, 8 e digo para mim mesma “Estou mandando muito bem!”. Faço 9, 10, 11, 12, 13 e me convenço que sou mais forte que eu imaginava. Faço a repetição 15, 16 e 17 pensando “Mais um, só mais um”. Mas quando faço a 18, 19 e a 20, e tudo que consigo pensar é que exercício não leva a nada. Que sou enorme, que nunca vou conseguir alcançar as minhas metas. Que nem 20 repetições de um exercício eu consigo fazer. Que repetir a mesma coisa não vai adiantar nada, vou sempre ser a mesma horrorosa (mesmo quando o meu corpo não deveria ter nada a ver com a minha auto imagem)

Eventualmente o meu lado Ruth ganha, e com braços ou pernas tremendo e com o rosto vermelho, eu posso correr para o outro aparelho e voltar a me divertir. Pelo menos até a próxima 17ª repetição.

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Crackuda do Açúcar

Oi. Meu nome é Mariana. Eu sou viciada em açúcar.

Você não está entendendo meu problema com açúcar, não subestime essa viciada. Passo dias sem ingerir comidas salgadas. Vivendo a base de suco, cereal, iogurte e biscoito de polvilho. Sim, biscoito de polvilho. Polvilho doce, claro. Tapioca de banana. Barras de chocolate. Tãmaras. Potes de meio quilo de cereja. Balinhas de gelatina. Balinhas de alga. Mingau de aveia com damasco. Abacaxi cristalizado. Donuts. Pipoca Caramelada. Cereja coberta de chocolate. Um pote de geléia de morango. Talvez eu tenha comido todas essas coisas essa semana, não confirmo nem nego.

O problema é que, desde a terça feira da semana passada, eu estou proibida pelo cardiologista, de comer quantidades grandes de açúcar de uma vez só. Posso passar anos sem comer um prato de arroz com feijão, mas ficar sem minha dose quase diária de jujuba? Is this real life?

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Um lanchinho da semana passada para provar o meu ponto.

Fui apelidada de Crackuda do açúcar por uma amiga. Achei condizente, já que existe um estudo que diz que açúcar vicia tanto quanto drogas, o que talvez explique a minha necessidade absurda de comer quantidades enormes de açúcar super rápido e desfrutar da maravilhosa tranquilidade que isso traz para o meu pensamento. Dizem que sugar rush é mentira, mas, olha, que me acalma, acalma.

Estou lidando com essa compulsão da seguinte forma: cortei o açúcar refinado visível. O invisível (tudo tem açúcar, não se iluda), eu vou tentar deixar aos poucos. Tudo que sei que foi açúcar refinado, eu não como. Cortei o açúcar do café, o preparado de tchai, o bolinho, as barras de cereais, o chocolate branco, as balas…

Um dia de cada vez, perdoando as recaídas, claro. Afinal, não sou uma #crackudadoaçúcar à tôa.

(Talvez eu esteja comendo uma tapioca com goiabada nesse momento, não confirmo nem nego).

ps: Estou postando sobre o açúcar, sob a #crackudadoaçúcar, no instagram  e no twitter. Vem comigo 🙂

Porque se amar não é fácil.

Toda vez que alguém me pergunta “Por que você não posta mais”, eu tento explicar em poucas palavras um sentimento muito vasto que me invadiu desde o ano passado. Eu digo “Eu não sei mais se quero emagrecer”, mas o que queria mesmo dizer era “Amiga, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: eu conheci gente demais com distúrbio alimentar, tenho medo de escrever algo que faça com que outras mulheres acreditem que devam emagrecer a qualquer custo, ou fazer com que alguém tenha vergonha do seu corpo

Eu tenho medo de influenciar alguém negativamente. E eu tenho esse medo porque, como a maior parte das mulheres, eu julgo meu corpo muito severamente, usando como parâmetro modelos photoshopadas ou confecções que, com o intuito de economizar dinheiro com tecido (sério, acredite em mim), transformaram o antigo 36 no novo 40.

Eu reli alguns dos textos que escrevi no Vai, Mariana, e não tive certeza se o que transparecia aqui era a minha busca pelo equilíbrio, pela retomada da minha auto-estima, e, principalmente, que a minha constituição física não deveria ter nada a ver com essa jornada, mas que, por muitas razões emocionais,  tem sim. E, opa, isso é um problema.

Eu tremo de alegria quando alguma amiga me chama de magra. Quando dizem que emagreci? Abro um sorriso enorme. Busco, nessa validação boba, a certeza de que eu estou mais próxima a um padrão, e, assim, consigo acreditar por algum tempo que eu sou bonita. E isso é um problema.

É um problema nós, mulheres, acreditarmos que o nosso peso deva influenciar na forma como as pessoas nos enxergam.  É um problema também permitir que o mundo nos trate mal porque temos sobrepeso. Meu medo é não deixar claro, em cada post, que as minhas palavras não tem o intuito de convencer ninguém a emagrecer, mas sim dividir uma caminhada de reconstrução do amor próprio, que não tem que passar pelo peso, necessariamente.

Eu não quero ser gordofóbica, não quero ser machista e não quero mais acreditar que emagrecer vai ser a solução definitiva dos meus problemas. Porque, oi? Nem que eu entre na equação da Gisele Bundchen  (vocês leram essa entrevista da Jana Rosa?) eu vou estar padrão das revistas, já que aquelas mulheres não existem, são fruto da imaginação distorcida de alguns designers por aí.

Então eu resolvi mudar o slogan do Blog. Porque, se amar, nesse mundo onde as mulheres são constantemente analisadas, reduzidas e diminuídas de todas as formas, até fisicamente nas páginas das revistas, não é nada fácil. E não é um projeto. Nem pode ser. Contei para vocês que uma blogueira que não gosta de gordos me bloqueou no Instagram quando eu comentei em uma foto que achava que ela estava sendo desrespeitosa?

É difícil mudar um mundo. Mas vamos juntas.

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