Porque se amar não é fácil.

Toda vez que alguém me pergunta “Por que você não posta mais”, eu tento explicar em poucas palavras um sentimento muito vasto que me invadiu desde o ano passado. Eu digo “Eu não sei mais se quero emagrecer”, mas o que queria mesmo dizer era “Amiga, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: eu conheci gente demais com distúrbio alimentar, tenho medo de escrever algo que faça com que outras mulheres acreditem que devam emagrecer a qualquer custo, ou fazer com que alguém tenha vergonha do seu corpo

Eu tenho medo de influenciar alguém negativamente. E eu tenho esse medo porque, como a maior parte das mulheres, eu julgo meu corpo muito severamente, usando como parâmetro modelos photoshopadas ou confecções que, com o intuito de economizar dinheiro com tecido (sério, acredite em mim), transformaram o antigo 36 no novo 40.

Eu reli alguns dos textos que escrevi no Vai, Mariana, e não tive certeza se o que transparecia aqui era a minha busca pelo equilíbrio, pela retomada da minha auto-estima, e, principalmente, que a minha constituição física não deveria ter nada a ver com essa jornada, mas que, por muitas razões emocionais,  tem sim. E, opa, isso é um problema.

Eu tremo de alegria quando alguma amiga me chama de magra. Quando dizem que emagreci? Abro um sorriso enorme. Busco, nessa validação boba, a certeza de que eu estou mais próxima a um padrão, e, assim, consigo acreditar por algum tempo que eu sou bonita. E isso é um problema.

É um problema nós, mulheres, acreditarmos que o nosso peso deva influenciar na forma como as pessoas nos enxergam.  É um problema também permitir que o mundo nos trate mal porque temos sobrepeso. Meu medo é não deixar claro, em cada post, que as minhas palavras não tem o intuito de convencer ninguém a emagrecer, mas sim dividir uma caminhada de reconstrução do amor próprio, que não tem que passar pelo peso, necessariamente.

Eu não quero ser gordofóbica, não quero ser machista e não quero mais acreditar que emagrecer vai ser a solução definitiva dos meus problemas. Porque, oi? Nem que eu entre na equação da Gisele Bundchen  (vocês leram essa entrevista da Jana Rosa?) eu vou estar padrão das revistas, já que aquelas mulheres não existem, são fruto da imaginação distorcida de alguns designers por aí.

Então eu resolvi mudar o slogan do Blog. Porque, se amar, nesse mundo onde as mulheres são constantemente analisadas, reduzidas e diminuídas de todas as formas, até fisicamente nas páginas das revistas, não é nada fácil. E não é um projeto. Nem pode ser. Contei para vocês que uma blogueira que não gosta de gordos me bloqueou no Instagram quando eu comentei em uma foto que achava que ela estava sendo desrespeitosa?

É difícil mudar um mundo. Mas vamos juntas.

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Mudando o Caminho

Quando eu me peguei pensando em 2014 (ainda em 2013, acreditem, provavelmente estou sonhando com 2014 desde… Dezembro de 2012? Provavelmente!), achei que fosse ser um ano cheio de dinheiro, de sucesso, com uma Mariana magrela e forte e atlética correndo pelo mundo enquanto viaja para compromissos profissionais.

“Smooth road, clear day
But why am I the only one travelin’ this way?
How strange the road to love should be so easy
Can’t you see the detour ahead?”

Eu estava errada. Continuo rechonchudinha, continuo com os pés bem firmes no chão da cidade de São Paulo, e, apesar de ter conseguido resolver muita coisa, esse ano começou com uma real sensação de começo, e não de final, para enredo que eu imaginei

Acontece que sempre quando imaginamos alguma coisa, só pensamos no resultado, em como tudo vai terminar: planejar o final sem imaginar a existência do caminho até lá é leviano com as nossas expectativas e gera muita frustração: planejar uma mudança de vida é como planejar uma viagem e, sem pensar com cuidado no caminho feito até o destino, as chances de dar errado são muito maiores.

“…The further you travel, the harder to unravel the web
she spins around you
Turn back while there’s time, don’t you see the
danger sign
Soft shoulders surround you…”

Fiz um plano mais realista de perda de peso para 2014 do que o que tinha para 2013, e as metas de exercício e desenvolvimento para a corrida são muito mais motivadoras do que as que tinha antes. Ter um único objetivo claro – no meu caso, correr – ajuda muito.

Eu imaginei estar no meu peso ideal quando 2014 chegasse, mas a verdade é que a meta “estar no peso ideal em 2014” requer um planejamento muito melhor do que o que fiz para ser alcançada. É preciso pensar em todas as variáveis e lidar com os  desvios no caminho de cabeça erguida.

“Smooth road, clear night
Oh lucky me that suddenly I saw the light
I’m turning back away from all that sorrow
Smooth road, clear day
No detour ahead…”

Se planejar uma mudança de estilo de vida é pensar também na viagem até o destino desejado, preciso dizer que valeu a pena andar devagar: a paisagem da janela é muito bonita.

PS: Post todo inspirado na música “Detour Ahead”, gravada em 1949 pela Billie Holiday (mas fez sucesso na voz de todo mundo, de Ella Fitzgerald à Diana Krall!). Ouça aqui http://www.youtube.com/watch?v=_YWSMYDBncU

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Noom Coach – Um treinador (mais ou menos) no celular

Eu gosto muito de tecnologia e uso aplicativos de celular para tudo. Eu controlo meus estudos e o meu sono, guardo imagens, anoto os filmes que assisti, edito fotos, monto slideshow, marco táxi, compro ingresso para o cinema, reservo restaurante, peço comida, tudo com aplicativos de celular. E claro que tem um monte de opções para aplicativos de vida saudável. É só dar uma olhadinha.

Comecei a usar há pouco mais de um mês o Noom Coach e estou gostando  MESMO. Eu não uso a versão PRO, mas sim a gratuita disponibilizada para download em Android e IOS.  A premissa do aplicativo é simples: Você diz o quanto pesa e qual a meta de peso. Ele indica qual a quantidade de calorias que você deveria consumir, te ajudando a contá-las, ao mesmo tempo que verifica a qualidade do que você anda comendo, classificando os alimentos em Verdes, Amarelos e Vermelhos – e indicando o consumo máximo deles.

O  Noom Coach também tem alertas para que, na hora da refeição, você se lembre de anotar o que consumiu.  E acredite em mim, se você anotar TUDO que comer, você vai pensar duas vezes.

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O aplicativo também tem outras features muito legais, como um pedômetro que, apesar de não ser exato, te ajuda a descobrir se você está muito parada, e a possibilidade de indicar exercícios que você tenha feito: o próprio app indica o gasto calórico, mas você pode ajustar. Ele também compartilha uns textinhos sobre vida saudável meio bobos, e você pode anotar o peso perdido (ou no meu caso, adquirido :/) e transforma tudo isso em um gráfico de emagrecimento.

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Todas as imagens, para quem não percebeu, são do meu próprio Noom Coach. Bonitinho né? Alguém usa esse tipo de aplicativo? Aceito indicações!

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“Eu prefiro não falar meu peso agora…”

Todo mundo diz que pensamento positivo muda o mundo. O mundo eu não sei, mas com certeza 2014 já chegou bem cotado aqui na residência Rosa. Desde Junho do ano passado eu estou falando sobre como “2014 vai ser incrível, como tudo vai ser diferente…” e, olha, estou achando que vai ser mesmo.  Se não for, valeu por essa esperança quentinha que estou carregando no peito. É um avanço pensar positivo.

Para começar o orgulhinho, não tive jacada de fim de ano. Não sei se porque as comidas de Natal foram mais lights mesmo ou se eu não estava no “modo-destruidora-de-travessas-de-salpicão”, minha ceia de natal foi batata assada com peru, e no réveillon eu tomei cerveja e comi bolo de maçã. Inclusive, saudades bolo de maçã.  Eu saí de férias e voltei com 600gr a menos. Tô, ó, de parabéns.

(MEGAUPDATE DA DEPRÊ: Me pesei na balança de sempre, no EVS, e aparentemente eu engordei belos 2kg. Entre a minha balança que me emagrece e a do EVS que engorda, o saldo é pelo menos 1,2kg. FUÉÉÉEN)

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“I’m still carrying a little holiday weight”

Hoje eu consegui correr 6k, o que foi demais. Até dei uma olhada em volta para ver se tinha alguém batendo palmas (A foto foi para o Insta do Blog, vem com a gente: @vaimariana)

As minhas metas para 2014 são simples:  descer definitivamente da casa dos 70kg e o plano mais importante: correr a meia maratona de Buenos Aires em Setembro.

Uma meia maratona é uma prova de 21km, o que é MUITO para uma pessoa que, na rua, só consegue fazer 5km (No caso, euzinha). Vou ter de sair da minha zona de conforto e incluir treinos mais longos no final de semana: já estou angariando amigos para esse programa e em breve o namorado vai receber um ultimato para correr junto.

Te prepara, 2014, que eu vou lhe usar.

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Eu quero que doa.

Estava conversando com uma amiga querida sobre amor, e escutei minha boca falar (porque esse tipo de coisa você se escuta dizer, mas nunca se permite pensar) que eu queria que doesse.

Eu disse, com todas as palavras, exatamente isso “Eu quero que doa”. Também me lembro de ter falado coisas como “Quero sentir que vou morrer de amor” e “Quero que seja tão intenso que eu sofra”. Os americanos tem uma expressão muito boa para apaixonado, que é “head over heels”.  E quando eu falo sobre me apaixonar é exatamente essa sensação que eu gosto de ter: como se eu estivesse equilibrando a minha cabeça em cima de um par de saltos agulha tamanho 15, sem meia pata, enquanto eu desço as ladeiras dos Jardins para o trabalho.

Isso não é amor. Isso é obsessão. Quem vai querer que o sentimento mais sublime gere… desespero? Não, não, não, eu estou errada. E, pior, eu estava falando sobre amor. Não era sobre séries de flexões, sobre corrida embaixo do sol, sobre um minuto interminável de burpees. Eu estava falando sobre o amor, sobre coisa boa. Eu estava desejando fortemente que algo bom me fizesse penar. Sofrer. Que doesse.

Abro o meu texto falando isso porque eu me sinto extremamente decepcionada quando faço um exercício e acho fácil. Quando eu emagreço sem me privar, sem passar fome. Sinto, nesses momentos, que não mereço o resultado se não tiver uma boa dose de lágrimas, suor e possivelmente sangue envolvidos (lágrimas, suor e sangue são válidos para o amor também, se vocês não perceberam pelo primeiro parágrafo). E eu estou errada. Oh, tão errada.

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(Entendedores entenderão)

Porque, sério, qual o sentido de exigir sofrimento? Será que a vida já não está difícil demais sem uma dose extra de culpa em cima do meu ocasional sanduíche de pata negra com gorgonzola? Que tipo de pessoa exige sofrimento para a vida valer à pena?

Eu estou falando sobre isso porque vi essa imagem

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E achei uma bobagem.

Cara, quem disse essa bobajaiada aí de que você precisa doer para ter resultado? Essa expressão deve ter vindo da mesma mente mestra que disse que você merece ser “gorda” ou “horrorosa” porque, bem, porque você falhou a dieta. Porque comer carboidrato é pecado, porque só merece ser “bonita” quem sofre para isso. Certeza que veio da mesma guru fitness que posta foto de “barriga negativa” com a legenda “Boa noite para você que comeu pão de queijo hoje”.

Vou te contar uma coisa: ninguém merece sofrer. Algumas vezes nós temos que colher os resultados das nossas escolhas ruins. Corações machucados, alguns quilinhos a mais, madrugadas em claro antes de uma prova. Isso não é merecer sofrer. Isso é só o bom e velho karma. Lidar com uma consequência não tem que ter culpa, e também não precisa ser um sofrimento, mas sim um aprendizado. Não faz sentido derramar uma cobertura de sofrimento no sorvete da vida porque, bem, você vai ter de tomá-lo de qualquer forma.

Eu não acho certo compartilhar a culpa que sinto. A minha culpa é um problema, não é um Projeto. Um projeto é um plano para realizar alguma coisa, e até a última vez que olhei, sentir-se culpada não é construir alguma coisa. Pelo contrário, incluir culpa no dia a dia é retirar o prazer de viver com a dor e a delícia de falhar e vencer, de ser um humano de verdade. Se culpar pelas falhas não vai fazer de você alguém melhor. Só mais frustrado. E, olha, frustração não constrói nada também.

Do mesmo jeito que achar que o tamanho do sofrimento é proporcional com o amor sentido é uma presunção absolutamente patética, é óbvio que exigir privação e dor para “merecer” uma vida saudável também não leva à nada. No amor e na dieta, sofrimento é opcional.

Look do Dia – SQN

Eu falei ontem sobre roupa de academia (e fui zoada pelos amigos por ter postado uma foto minha de roupa de ginástica, valeu pessoal! -.- ‘ ) e li comentários no Facebook sobre a dificuldade para encontrar a certa. Por mais que goste de moda, o que sei que fica bom no meu corpo não necessariamente vai funcionar quando se trata de roupa para fazer exercício: a menos que seja possível fazer agachamento com vestidos transpassados de jérsey e eu não saiba, é preciso se adaptar.

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(Muito esportivos – Pós escalada com Paulo e Talita – Foto de Abril desse ano,  estou usando camiseta da Decathlon e Casaco do Wal Mart – PHYNA)

Eu poderia ir para a academia de pijama. E eu já fui ou com a parte de baixo ou a parte de cima umas duas vezes. Guilty as charged. Isso por duas razões, sendo que a primeira é uma preguiça absurda que me consome ás 5:50 da manhã – que é o horário que acordo para ir à academia – e a segunda: ROUPA DE GINÁSTICA É CARA PRA CARAMBA.

Porque, assim, eu me sinto culpada de gastar 50 reais em uma camiseta que vai ser usada para suar, sendo que posso gastar 50 reais em comida em uma blusinha para aproveitar a vida de uma forma mais agradável.  Então a minha solução foi comprar leggings, camisetas básicas daquelas de 10 reais, e c’est fini. Meu problema é lembrar que eu já tenho 6 camisetas cor de rosa antes de comprar mais uma.

Eu compro roupas de ginástica na Marisa, na Decathlon ou no Supermercado mesmo. Me disseram que é a mesma confecção que faz para a Marisa, C&A e para os supermercados, o que explica um pouco da falta de opção e como tudo é meio parecido.  Eu gosto MUITO das camisetas da marca própria da Decathlon, e todas tem um preço bem acessível, preciso passar lá em breve, em nome do espírito investigativo bloguístico, claro.

Por enquanto, os  looks bonitinhos para academia, com marcar melhores, ficam só na minha imaginação. Deem uma olhada!

 

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A parábola da saia de corrida

Há um tempo eu estava conversando com a Mari C. e ela comentou como queria usar uma saia de corrida. Saias de corrida estão na moda, são lindas, fofas, femininas e, cara, se elas conseguem deixar a Serena Williams linda, porque não euzinha?

 

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(Serena Wlliams mostrando toda a usabilidade de uma saia esportiva)

Eu sou uma entusiasta de porcarias e trecos e apetrechos. Tenho uma garrafa roxa de listra lilás para ir pra academia. Eu uso meias do Harry Potter para correr, sabe. É claro que qualquer coisa diferente parece ter uma seta em neon para mim.

Bom, problema era achar uma saia de corrida que coubesse nas minhas coxas de devoradora de polenta com ragu de calabresa. E a questão é que não tinha. Experimentei de vários lugares, de vários tipos, marcas, cores e tecidos… e acabei desencanando. Virou um desejo da lista de coisas que queria em longo prazo.

Comentei com a minha mãe sobre esse desejo no final de semana e quarta feira cheguei em casa e encontrei um pacotinho com uma saia de corrida. Presente a mamã. Pretinha, básica, linda, fofa.

(Um parêntese. Minha mãe é a maior incentivadora das minhas atividades físicas. Ela vai comigo para a academia, ela está sempre ao meu lado vibrando a cada quilo perdido. Meu primeiro tênis de corrida foi presente de Natal dela. Assim como parte das minhas roupas de exercício. Obrigada! <3).

Aí eu olhei a saia, eu segurei a saia e eu abri o berreiro. É claro que ela não caberia em mim. Era pequena demais, lindinha demais, não, não era para mim. Levei a saia até ela e agradeci, entre lágrimas, a tentativa.

“Você experimentou?”, ela perguntou. “Não mãe, conheço meu corpo, não vai caber”, eu respondi, contendo um soluço super dramático, de forma que ela pudesse compreender a dimensão do pesadelo que é procurar roupas quando se está fora do padrão. “Experimenta logo!”, ela berrou, super gentil. E eu, que sou esperta, obedeci.

Coube. E ficou linda (#modéstia). Então o que eu queria dizer é que às vezes a gente acha que algumas coisas boas são para os outros. Que a gente não merece algo e é o medo de tentar que nos separa da realização de um desejo. Foi só uma saia de corrida, mas também foi a alegria de riscar mais alguma coisa da listinha de to-dos.  E eu vou valorizar cada pequena conquista
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 (o rosto vermelho é pra combinar com a cor da camiseta – tinha corrido 3k depois da musculação)

Quem tem medo de gente bonita?

Quando eu percebi que realmente meu peso era um problema, em Setembro de 2011, eu decidi fazer dieta, cortar os açúcares e tentar ser uma pessoa mais saudável. Mas não passou pela minha cabeça fazer academia. Porque eu achava que estava gorda demais para ir para fazer exercício. O meu raciocínio era: preciso emagrecer para poder ir para a academia.

E tem os sarados da academia. Eu tinha medo daquelas pessoas. Só quem já sofreu bullying por estar acima do peso entende o desafio que é colocar os pés dentro de uma academia e suar na frente de um monte de gente com o corpo lindo. O que eu sentia era que eu não merecia estar ali. Que eu estava completamente deslocada do lugar correto. Que meu lugar não era ali, mas sim em alguma biblioteca.

Eu não sou uma pessoa tímida. Costumo ser quieta com gente que não conheço, mas logo que me sinto minimamente enturmada já estou tocando o terror, conversando, rindo, chamando para ir para o bar.  Depois de um ano de academia, só agora que eu consigo conversar com as pessoas, falar bom dia, pedir ajuda. Eu não fazia nem musculação: ficava com vergonha de ter que olhar para as pessoas. Ainda não sei o nome de ninguém, não fiz nenhum colega, mas espero que isso mude.

O problema é que eu tenho preconceito com bonitos. Sim. Eu sou dessas patetas que acha que gente sarada, bonita, é gente que tem tempo demais de sobra para dedicar ao corpo e que, por isso, não pode ser interessante. Um dia, enquanto eu corria  (ahahaha, olha o timing) o cara mais fortão da academia (e que eu sempre julguei de babaca por isso) passou com uma camiseta do Harry Potter. Eu sei que Harry Potter não é nada demais, mas, olha, eu venero Harry Potter, só conheço gente legal que gosta de Harry Potter.  E o cara achou uma camiseta do HP que coube nele, isso demandou esforço, ele tem que REALMENTE gostar de Harry Potter.

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Dumbledore Curtiu Isso

Ás vezes a gente acha que exercício e um corpo mais “dentro do padrão” são para os outros, e que todo tipo de “culto ao corpo” é coisa de gente fútil, não tão inteligente quanto à gente. Eu achava. Isso me confortava e “Pelo menos eu sou inteligente, não preciso ser bonita” era um pensamento recorrente meu. Demorou para que eu percebesse que, bem, isso é uma bobagem. Eu sempre condeno pessoas que classificam e criticam as pessoas por aparência física, mas eu mesma fazia isso, no critério inverso. Cadê a razão nisso?

Inclusive o moço da Camiseta do Harry Potter apareceu hoje com a camiseta da Elétrica da Poli e ontem estava com uma do Inuyasha. Tô achando que vou fazer meu primeiro amigo.

Eu não consigo emagrecer!

E além disso tenho um talento inigualável pra engordar.

Esse ano bati meu recorde.

Sabe aquelas semaninhas de frio? De friozão?

Então.

Fui eu, linda e maravilhosa me atolar debaixo de roupa e um casaco que ficava largo no inverno passado não fechou.

Pensei: olha só, dei uma engordada. Que coisa!

Não me pesei.

E continuei comendo.

Posso me justificar e dizer que até julho foi tudo muito difícil. Empacado. Uma bela duma porcaria. E por isso fiquei com dó de mim e me afoguei na comida.

E quando eu estava prestes a explodir… As coisas mudaram.

Uma portinha se abriu e a vida voltou a ter cor! Voltou a ter cor e continuou tendo muito sabor (ops!).

Continuou fazendo frio e eu precisei de um casaco novo porque os antigos não fechavam. Putz.

Pensei em voltar pra academia quando o frio aliviasse, mas não deu.

Cansei de me vestir de preto e usar legging e resolvi parar de adiar e voltar pra academia.

Ok. Fui fazer avaliação física e PÁ! SURPRESA: engordei 8 kilos em 2 meses.

8. OITO!

Atingi uma casa decimal nunca antes atingida. F#DEU.

Me bateu um medo e um desespero. Fiquei assustada e resolvi entrar na linha.

Natação, corrida, musculação: perdi 3 kilinhos em 1 mês! Uhuw!

Passado o primeiro mês me vi derrapando de novo. Uma cervejinha aqui. Uma porçãozinha acolá. E parei de emagrecer.

Nisso encontrei uma amiga que perdeu 7 kilos. Linda. Magrinha.

Peguei umas dicas com ela e (re-re-re-re)comecei.

PÁ! Menos 2 kilos em 1 semana!

Menos 1 na semana seguinte!

Como?

Dieta Dukan.

Proteína e laticínios magros.

Mas… Estacionei nessa semana (a 3a da dieta).

Fiquei puta porque só como proteína há 15 dias e achei INJUSTO engordar sem fazer por onde. Mas isso não vai me deixar mais magra e pode me fazer voltar praquela casa decimal que me deixou assustada.

Então resolvi entender o porquê da estacionada (e descobri que não estava seguindo tudo 100% à risca) e vir pra cá desabafar, buscar um pouquinho de inspiração (e confete).

Façam-me o favor?

 

 

 

 

 

Quero uma medalha sim, obrigada!

Desde pequena nós, meninas, somos ensinadas a ter vergonha ou menosprezar nossas habilidades. Boa menina é aquela que não fica esfregando na cara do coleguinha as notas mais altas, que não fala para todo mundo o que consegue fazer de diferente, e que nunca, nunquinha, vai se gabar de ser melhor ou ter conseguido algo que os outros não conseguem: uma boa menina não sente orgulho nenhum do que faz, porque não faz mais que sua obrigação.

Semana passada eu consegui correr 6km em 35 minutos. Gente, vocês não entendem a sensação de completude que eu tive quando estava ali, em cima na esteira, a 12km por hora, correndo até as pernas quase caírem: ali, em cima daquela esteira, às 6:40 da manhã de um dia nublado, eu me tornei a minha própria heroína pessoal. Tornei-me alguém de quem eu tenho orgulho, e foi uma conquista muito suada, desejada e esperada.

Tirei uma foto do contador do aparelho, mandei para os amigos de corrida, postei no twitter e, alguns minutos depois, vi um comentário do tipo “Nossa, vocês não conseguem ir para a academia sem se acharem algum tipo de campeão? Quer uma medalha, champs?”. Não foi para mim, a pessoa nem me segue no twitter. Mas achei uma babaquice sem fim.

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(Beyoncé também achou)

Será que nós somos tão educados assim para menosprezar os nossos feitos? Será que essa necessidade de modéstia e humildade realmente traz algo bom para a nossa vida?

Sempre vejo cartazes motivacionais por aí, com fotos de antes e depois, com close up de músculos, com histórias emocionantes sobre como as pessoas são incríveis e como você devia se inspirar nelas.

Mas, o que te impede de ser, você mesmo, a sua própria motivação? Você devia olhar para você, para as coisas maravilhosas que aconteceram por seu esforço, pelo seu mérito, e usar a lembrança disso como inspiração. Você pode sim ser o seu próprio herói.

Mesmo que o seu feito pareça menor, que o esforço que você teve seja menor em relação ao das outras pessoas. Ele é o seu esforço. E eu acho, sim, que você devia ter muito orgulho disso.  Faz bem.

ps: Sobre este assunto, remeto à Beyoncé

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