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Vem, 2015

Quando deu meia noite e os fogos começaram a explodir do lado de fora da sala de casa, eu abri um berreiro digno de filme mudo, com direito a caretas e choro sem som, sabe como é? Choro de felicidade, choro feio, que ninguém entende, meio rindo e meio chorando?

Como abridora oficial de garrafas de bebida da família, foi chorando mesmo que eu abri o champanhe (abrindo a rolha no dente, uma técnica sem classe alguma, mas efetiva para caramba #dicas), foi chorando que servi bebida nas taças de todo mundo, e foi chorando que beijei o L. E abracei a família, desejando que 2015 seja um ano bem mais doce para nós (e entornei duas taças de champanhe só para garantir a doçura do momento).

2014 foi um ano que começou em janeiro de 2012, quando a minha vida deu o 180º que contei para vocês. Quando os fogos explodiram, foi como se selassem o fim de muita coisa na minha vida: eu esperei até o primeiro segundo de 2015 para que 2012 terminasse, e é uma delícia me despedir dos problemas que carreguei até aqui, sabendo que agora tudo ficou para trás.

2015, por exemplo, começou em 2007: ano que entrei no curso de Direito na PUCSP, e que terminei meu primeiro relacionamento, certa de que (1) a vida é grande demais para viver só para si e o mundo um lugar pequeno demais para que eu não posso gerar algum impacto; e (2) Que se um ~amor~ dá mais trabalho que alegria, tem alguma coisa errada.

Lá se foram sete anos até que eu conseguisse reencontrar o caminho da Mariana de 19 anos (e olha que ela só queria duas coisas!), mas eu consegui. Então foi por isso que chorei: porque a porta pela qual eu sempre quis entrar se abriu com o primeiro minuto de 2015. E esperei muito para atravessá-la.

Então só me resta dizer: Vai, Mariana.

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Sobre ser um vira lata preto

Um dia a Julie me mandou uma mensagem dizendo que tinha pegado um cachorro na rua. Ela não escolheu pegar o Corvão (eu te juro que esse é o nome temporário que ela deu pro cachorro. É minha amiga, vocês querem o quê?), ela simplesmente abraçou o cachorro e correu com ele pro veterinário. Algumas coisas não devem ser pensadas duas vezes. Principalmente quando a vida de alguém está em perigo.

Ela não adotou o Corvão. Ela resgatou o danado num dia de frio, chuva, em que ele estava encolhido num canto tremendo de dor e de fome. A intenção dela era medicá-lo, apresentar o bichinho para os amigos, e esperar que alguém se apaixonasse por ele. Porque, claro, essa é a única razão para você ter um cachorro: porque você se apaixonou. Não é porque Pugs e Buldogues Franceses estão na moda, ou porque um Golden Retriever um dia apareceu no filme Marley e Eu, apesar do que as pessoas pareçam pensar.

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Mas o tempo foi passando e o Corvão ainda está sob guarda da Julie. Ele acabou de ser castrado, e ainda assim não conseguiu uma casa. Rola campanha, compartilhamento dos amigos no Facebook e tudo. Ninguém se apaixona pelo Corvão. Não é fácil amar um vira lata preto orelhudo.

E eu sei que se ele não encontra uma casa é porque o Corvão é um vira-lata preto. E sei porque sou um vira lata preto também. Quem é vira lata preto sabe. Sabe que é vira lata preto e que o mundo é dos labradores amarelos.  Que a gente anda encostado nas paredes, se escondendo do mundo, porque é assim que as coisas são: e que o lugar dos vira latas pretos é menor que o dos Golden Retrivier Dourados. Eu entendo o Corvão.

Corvão 2

Se eu pudesse escrever algo que o Corvão pudesse entender, eu pediria para ele esperar, e não perder a esperança. Um dia ele vai achar alguém que possa amar suas orelhas pontudas, seu olhar doce, amar os poucos latidos que saem dele, assim como eu encontrei alguém que vê qualidade em alguns dos meus defeitos.

Se eu pudesse prometer algo para o Corvs, seria que quem ama um cachorro preto, ama de verdade. Você pode até se atrair pela bela pelagem de um labrador amarelo, mas só quem se enxerga de volta no pêlo preto de um vira lata sabe o que é amor de verdade.

E quem sabe, Corvão, exista um lugar onde nós, vira latas pretos, tenhamos todos alguém para amar?

 

Corvão

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Porque se amar não é fácil.

Toda vez que alguém me pergunta “Por que você não posta mais”, eu tento explicar em poucas palavras um sentimento muito vasto que me invadiu desde o ano passado. Eu digo “Eu não sei mais se quero emagrecer”, mas o que queria mesmo dizer era “Amiga, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: eu conheci gente demais com distúrbio alimentar, tenho medo de escrever algo que faça com que outras mulheres acreditem que devam emagrecer a qualquer custo, ou fazer com que alguém tenha vergonha do seu corpo

Eu tenho medo de influenciar alguém negativamente. E eu tenho esse medo porque, como a maior parte das mulheres, eu julgo meu corpo muito severamente, usando como parâmetro modelos photoshopadas ou confecções que, com o intuito de economizar dinheiro com tecido (sério, acredite em mim), transformaram o antigo 36 no novo 40.

Eu reli alguns dos textos que escrevi no Vai, Mariana, e não tive certeza se o que transparecia aqui era a minha busca pelo equilíbrio, pela retomada da minha auto-estima, e, principalmente, que a minha constituição física não deveria ter nada a ver com essa jornada, mas que, por muitas razões emocionais,  tem sim. E, opa, isso é um problema.

Eu tremo de alegria quando alguma amiga me chama de magra. Quando dizem que emagreci? Abro um sorriso enorme. Busco, nessa validação boba, a certeza de que eu estou mais próxima a um padrão, e, assim, consigo acreditar por algum tempo que eu sou bonita. E isso é um problema.

É um problema nós, mulheres, acreditarmos que o nosso peso deva influenciar na forma como as pessoas nos enxergam.  É um problema também permitir que o mundo nos trate mal porque temos sobrepeso. Meu medo é não deixar claro, em cada post, que as minhas palavras não tem o intuito de convencer ninguém a emagrecer, mas sim dividir uma caminhada de reconstrução do amor próprio, que não tem que passar pelo peso, necessariamente.

Eu não quero ser gordofóbica, não quero ser machista e não quero mais acreditar que emagrecer vai ser a solução definitiva dos meus problemas. Porque, oi? Nem que eu entre na equação da Gisele Bundchen  (vocês leram essa entrevista da Jana Rosa?) eu vou estar padrão das revistas, já que aquelas mulheres não existem, são fruto da imaginação distorcida de alguns designers por aí.

Então eu resolvi mudar o slogan do Blog. Porque, se amar, nesse mundo onde as mulheres são constantemente analisadas, reduzidas e diminuídas de todas as formas, até fisicamente nas páginas das revistas, não é nada fácil. E não é um projeto. Nem pode ser. Contei para vocês que uma blogueira que não gosta de gordos me bloqueou no Instagram quando eu comentei em uma foto que achava que ela estava sendo desrespeitosa?

É difícil mudar um mundo. Mas vamos juntas.

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