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Vem, 2015

Quando deu meia noite e os fogos começaram a explodir do lado de fora da sala de casa, eu abri um berreiro digno de filme mudo, com direito a caretas e choro sem som, sabe como é? Choro de felicidade, choro feio, que ninguém entende, meio rindo e meio chorando?

Como abridora oficial de garrafas de bebida da família, foi chorando mesmo que eu abri o champanhe (abrindo a rolha no dente, uma técnica sem classe alguma, mas efetiva para caramba #dicas), foi chorando que servi bebida nas taças de todo mundo, e foi chorando que beijei o L. E abracei a família, desejando que 2015 seja um ano bem mais doce para nós (e entornei duas taças de champanhe só para garantir a doçura do momento).

2014 foi um ano que começou em janeiro de 2012, quando a minha vida deu o 180º que contei para vocês. Quando os fogos explodiram, foi como se selassem o fim de muita coisa na minha vida: eu esperei até o primeiro segundo de 2015 para que 2012 terminasse, e é uma delícia me despedir dos problemas que carreguei até aqui, sabendo que agora tudo ficou para trás.

2015, por exemplo, começou em 2007: ano que entrei no curso de Direito na PUCSP, e que terminei meu primeiro relacionamento, certa de que (1) a vida é grande demais para viver só para si e o mundo um lugar pequeno demais para que eu não posso gerar algum impacto; e (2) Que se um ~amor~ dá mais trabalho que alegria, tem alguma coisa errada.

Lá se foram sete anos até que eu conseguisse reencontrar o caminho da Mariana de 19 anos (e olha que ela só queria duas coisas!), mas eu consegui. Então foi por isso que chorei: porque a porta pela qual eu sempre quis entrar se abriu com o primeiro minuto de 2015. E esperei muito para atravessá-la.

Então só me resta dizer: Vai, Mariana.

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Sobre ser um vira lata preto

Um dia a Julie me mandou uma mensagem dizendo que tinha pegado um cachorro na rua. Ela não escolheu pegar o Corvão (eu te juro que esse é o nome temporário que ela deu pro cachorro. É minha amiga, vocês querem o quê?), ela simplesmente abraçou o cachorro e correu com ele pro veterinário. Algumas coisas não devem ser pensadas duas vezes. Principalmente quando a vida de alguém está em perigo.

Ela não adotou o Corvão. Ela resgatou o danado num dia de frio, chuva, em que ele estava encolhido num canto tremendo de dor e de fome. A intenção dela era medicá-lo, apresentar o bichinho para os amigos, e esperar que alguém se apaixonasse por ele. Porque, claro, essa é a única razão para você ter um cachorro: porque você se apaixonou. Não é porque Pugs e Buldogues Franceses estão na moda, ou porque um Golden Retriever um dia apareceu no filme Marley e Eu, apesar do que as pessoas pareçam pensar.

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Mas o tempo foi passando e o Corvão ainda está sob guarda da Julie. Ele acabou de ser castrado, e ainda assim não conseguiu uma casa. Rola campanha, compartilhamento dos amigos no Facebook e tudo. Ninguém se apaixona pelo Corvão. Não é fácil amar um vira lata preto orelhudo.

E eu sei que se ele não encontra uma casa é porque o Corvão é um vira-lata preto. E sei porque sou um vira lata preto também. Quem é vira lata preto sabe. Sabe que é vira lata preto e que o mundo é dos labradores amarelos.  Que a gente anda encostado nas paredes, se escondendo do mundo, porque é assim que as coisas são: e que o lugar dos vira latas pretos é menor que o dos Golden Retrivier Dourados. Eu entendo o Corvão.

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Se eu pudesse escrever algo que o Corvão pudesse entender, eu pediria para ele esperar, e não perder a esperança. Um dia ele vai achar alguém que possa amar suas orelhas pontudas, seu olhar doce, amar os poucos latidos que saem dele, assim como eu encontrei alguém que vê qualidade em alguns dos meus defeitos.

Se eu pudesse prometer algo para o Corvs, seria que quem ama um cachorro preto, ama de verdade. Você pode até se atrair pela bela pelagem de um labrador amarelo, mas só quem se enxerga de volta no pêlo preto de um vira lata sabe o que é amor de verdade.

E quem sabe, Corvão, exista um lugar onde nós, vira latas pretos, tenhamos todos alguém para amar?

 

Corvão

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17, 18, 19…20!

Um dia eu cheguei à academia e tinha um instrutor novo. Um cearense alto de olhos claros e um sorrisão enorme no rosto, agasalhado do frio de São Paulo até às orelhas em um dia que eu estava de legging e camiseta, distribuindo bom humor 6 e 10 da manhã. O instrutor novo parecia bonzinho, mas mudou radicalmente meu treino, para algo bem mais puxado. E agora a sequência de exercícios deixou de ser “3 séries de 15 repetições”, para se tornar “4 séries de 20 repetições intercaladas com outro exercício de 4 séries de 20 repetições que deverão ser feitas no intervalo entre a primeira série”.

E nooooooossa, é difícil.

E é difícil não porque dói, e olha que dói sim, mas porque eu não tenho o menor controle mental para as últimas três repetições de cada série.  Eu faria eternamente as primeiras oito repetições de cada exercício, se pudesse pular as três ultimas. É preciso algo maior do que força para, com o braço tremendo e uma gota de suor escorrendo da testa para a borda do óculos, você consiga fazer as três últimas repetições de uma série de exercícios.

Sei que o braço aguenta, que a dor vai passar e que o desconforto é passageiro: é que as três últimas repetições não esgotam o músculo, mas testam o meu coração. Correr os últimos 100 metros depois de ter corrido 9,9 km é a parte mais difícil. Não por conta da distância, mas porque a minha cabeça desiste sempre muito antes do meu corpo. E ela nunca para de desistir. E desistir. E desistir. E de novo ainda desistir.

 

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Faço 1, 2, 3, 4, 5, e penso “Nossa, poderia fazer isso sempre!”. Faço 6,7, 8 e digo para mim mesma “Estou mandando muito bem!”. Faço 9, 10, 11, 12, 13 e me convenço que sou mais forte que eu imaginava. Faço a repetição 15, 16 e 17 pensando “Mais um, só mais um”. Mas quando faço a 18, 19 e a 20, e tudo que consigo pensar é que exercício não leva a nada. Que sou enorme, que nunca vou conseguir alcançar as minhas metas. Que nem 20 repetições de um exercício eu consigo fazer. Que repetir a mesma coisa não vai adiantar nada, vou sempre ser a mesma horrorosa (mesmo quando o meu corpo não deveria ter nada a ver com a minha auto imagem)

Eventualmente o meu lado Ruth ganha, e com braços ou pernas tremendo e com o rosto vermelho, eu posso correr para o outro aparelho e voltar a me divertir. Pelo menos até a próxima 17ª repetição.

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Porque se amar não é fácil.

Toda vez que alguém me pergunta “Por que você não posta mais”, eu tento explicar em poucas palavras um sentimento muito vasto que me invadiu desde o ano passado. Eu digo “Eu não sei mais se quero emagrecer”, mas o que queria mesmo dizer era “Amiga, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: eu conheci gente demais com distúrbio alimentar, tenho medo de escrever algo que faça com que outras mulheres acreditem que devam emagrecer a qualquer custo, ou fazer com que alguém tenha vergonha do seu corpo

Eu tenho medo de influenciar alguém negativamente. E eu tenho esse medo porque, como a maior parte das mulheres, eu julgo meu corpo muito severamente, usando como parâmetro modelos photoshopadas ou confecções que, com o intuito de economizar dinheiro com tecido (sério, acredite em mim), transformaram o antigo 36 no novo 40.

Eu reli alguns dos textos que escrevi no Vai, Mariana, e não tive certeza se o que transparecia aqui era a minha busca pelo equilíbrio, pela retomada da minha auto-estima, e, principalmente, que a minha constituição física não deveria ter nada a ver com essa jornada, mas que, por muitas razões emocionais,  tem sim. E, opa, isso é um problema.

Eu tremo de alegria quando alguma amiga me chama de magra. Quando dizem que emagreci? Abro um sorriso enorme. Busco, nessa validação boba, a certeza de que eu estou mais próxima a um padrão, e, assim, consigo acreditar por algum tempo que eu sou bonita. E isso é um problema.

É um problema nós, mulheres, acreditarmos que o nosso peso deva influenciar na forma como as pessoas nos enxergam.  É um problema também permitir que o mundo nos trate mal porque temos sobrepeso. Meu medo é não deixar claro, em cada post, que as minhas palavras não tem o intuito de convencer ninguém a emagrecer, mas sim dividir uma caminhada de reconstrução do amor próprio, que não tem que passar pelo peso, necessariamente.

Eu não quero ser gordofóbica, não quero ser machista e não quero mais acreditar que emagrecer vai ser a solução definitiva dos meus problemas. Porque, oi? Nem que eu entre na equação da Gisele Bundchen  (vocês leram essa entrevista da Jana Rosa?) eu vou estar padrão das revistas, já que aquelas mulheres não existem, são fruto da imaginação distorcida de alguns designers por aí.

Então eu resolvi mudar o slogan do Blog. Porque, se amar, nesse mundo onde as mulheres são constantemente analisadas, reduzidas e diminuídas de todas as formas, até fisicamente nas páginas das revistas, não é nada fácil. E não é um projeto. Nem pode ser. Contei para vocês que uma blogueira que não gosta de gordos me bloqueou no Instagram quando eu comentei em uma foto que achava que ela estava sendo desrespeitosa?

É difícil mudar um mundo. Mas vamos juntas.

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Mudando o Caminho

Quando eu me peguei pensando em 2014 (ainda em 2013, acreditem, provavelmente estou sonhando com 2014 desde… Dezembro de 2012? Provavelmente!), achei que fosse ser um ano cheio de dinheiro, de sucesso, com uma Mariana magrela e forte e atlética correndo pelo mundo enquanto viaja para compromissos profissionais.

“Smooth road, clear day
But why am I the only one travelin’ this way?
How strange the road to love should be so easy
Can’t you see the detour ahead?”

Eu estava errada. Continuo rechonchudinha, continuo com os pés bem firmes no chão da cidade de São Paulo, e, apesar de ter conseguido resolver muita coisa, esse ano começou com uma real sensação de começo, e não de final, para enredo que eu imaginei

Acontece que sempre quando imaginamos alguma coisa, só pensamos no resultado, em como tudo vai terminar: planejar o final sem imaginar a existência do caminho até lá é leviano com as nossas expectativas e gera muita frustração: planejar uma mudança de vida é como planejar uma viagem e, sem pensar com cuidado no caminho feito até o destino, as chances de dar errado são muito maiores.

“…The further you travel, the harder to unravel the web
she spins around you
Turn back while there’s time, don’t you see the
danger sign
Soft shoulders surround you…”

Fiz um plano mais realista de perda de peso para 2014 do que o que tinha para 2013, e as metas de exercício e desenvolvimento para a corrida são muito mais motivadoras do que as que tinha antes. Ter um único objetivo claro – no meu caso, correr – ajuda muito.

Eu imaginei estar no meu peso ideal quando 2014 chegasse, mas a verdade é que a meta “estar no peso ideal em 2014” requer um planejamento muito melhor do que o que fiz para ser alcançada. É preciso pensar em todas as variáveis e lidar com os  desvios no caminho de cabeça erguida.

“Smooth road, clear night
Oh lucky me that suddenly I saw the light
I’m turning back away from all that sorrow
Smooth road, clear day
No detour ahead…”

Se planejar uma mudança de estilo de vida é pensar também na viagem até o destino desejado, preciso dizer que valeu a pena andar devagar: a paisagem da janela é muito bonita.

PS: Post todo inspirado na música “Detour Ahead”, gravada em 1949 pela Billie Holiday (mas fez sucesso na voz de todo mundo, de Ella Fitzgerald à Diana Krall!). Ouça aqui http://www.youtube.com/watch?v=_YWSMYDBncU

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Quero uma medalha sim, obrigada!

Desde pequena nós, meninas, somos ensinadas a ter vergonha ou menosprezar nossas habilidades. Boa menina é aquela que não fica esfregando na cara do coleguinha as notas mais altas, que não fala para todo mundo o que consegue fazer de diferente, e que nunca, nunquinha, vai se gabar de ser melhor ou ter conseguido algo que os outros não conseguem: uma boa menina não sente orgulho nenhum do que faz, porque não faz mais que sua obrigação.

Semana passada eu consegui correr 6km em 35 minutos. Gente, vocês não entendem a sensação de completude que eu tive quando estava ali, em cima na esteira, a 12km por hora, correndo até as pernas quase caírem: ali, em cima daquela esteira, às 6:40 da manhã de um dia nublado, eu me tornei a minha própria heroína pessoal. Tornei-me alguém de quem eu tenho orgulho, e foi uma conquista muito suada, desejada e esperada.

Tirei uma foto do contador do aparelho, mandei para os amigos de corrida, postei no twitter e, alguns minutos depois, vi um comentário do tipo “Nossa, vocês não conseguem ir para a academia sem se acharem algum tipo de campeão? Quer uma medalha, champs?”. Não foi para mim, a pessoa nem me segue no twitter. Mas achei uma babaquice sem fim.

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(Beyoncé também achou)

Será que nós somos tão educados assim para menosprezar os nossos feitos? Será que essa necessidade de modéstia e humildade realmente traz algo bom para a nossa vida?

Sempre vejo cartazes motivacionais por aí, com fotos de antes e depois, com close up de músculos, com histórias emocionantes sobre como as pessoas são incríveis e como você devia se inspirar nelas.

Mas, o que te impede de ser, você mesmo, a sua própria motivação? Você devia olhar para você, para as coisas maravilhosas que aconteceram por seu esforço, pelo seu mérito, e usar a lembrança disso como inspiração. Você pode sim ser o seu próprio herói.

Mesmo que o seu feito pareça menor, que o esforço que você teve seja menor em relação ao das outras pessoas. Ele é o seu esforço. E eu acho, sim, que você devia ter muito orgulho disso.  Faz bem.

ps: Sobre este assunto, remeto à Beyoncé

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“Sabe, quando você começa a se ferrar o tempo todo, você tem que trocar pelo light”

Não sei vocês, mas às vezes eu preciso de um prato de risoto.

E eu estou falando de risoto feito com vinho branco e manteiga, quantidades cavalares de queijo gorgonzola ou camembért. Ás vezes eu preciso de calorias, um copo de cerveja, uma fritura. Às vezes a única coisa que vai me consolar são Ribs on the Barbie do Outback. Costelas comidas com a mão e descidas com uma caneca de cerveja, como uma boa menina, claro.

Semana passada estava fazendo piada com a Jules sobre umas receitas de absurdas, como Nutella de Whey e um Ferrero Rocher Light.

Sabe gente, desculpem-me, mas a expressão “Ferrero Rocher Light” já é meio ridícula né? Olhei a receita com a intenção de encontrar mais uma razão para fazer piada. Mas parece gostoso. Delicioso MESMO.  Aí eu pensei o quanto eu tenho preconceito com receitas “funcionais”.

Como uma pessoa que gosta de comida, eu quero mais é ingrediente delícia, carne marmorizada com gordura, cheiro de toucinho na panela, cebola caramelizada, maionese caseira… mas o que tudo isso significa é que eu quero comida gostosa. E, bom, esse bombom light parece MUITO gostoso!

Na cara, Mariana! Fica aí zoando as pessoas light e fica delirando numa receita “funcional”. Quando eu estou com mais boa vontade, eu troco meu Risoto com Emmenthal pela  Quinoa Risoto que tem uma quantidade muito menor de calorias,  é delícia e, bom, tem muito mais vitamina e fibras que um prato de risoto. Receita básica que eu fazia muito quando morava sozinha (e pesava 66 kg, saudades!).

A receita em si é mais uma não receita. Aquela coisa básica de lava a quinoa, cozinha com um talo de salsão ou alho porró e água fervente, quando estiver só com um pouquinho de água e já cozida, uma colher razoável de requeijão light e nhac! Pra dentro vendo Grey’s Anatomy e chorando no sofá. Tão pouca caloria que pode até um copo de vinho branco, vai.

Às vezes você precisa de um risoto com presunto de parma. Mas se a tristeza for um pouquinho menor, eu vou escolher o blanquet de peru light. (Ugh).

ps: Tem um episódio de Friends que resume muito essa questão de comida funcional. O Diálogo é meio assim:

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Chandler: Esse sorvete tem um gosto horrível.
Rachel:
 Bem, esse é o baixa calorias, sem laticínio, a porcaria feita de leite de soja.  Nós guardamos o sorvete bom para os casos terminais.
Monica: Sabe, quando você começa a se ferrar o tempo todo, você tem que trocar pelo light.

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Uma carta para Nadine – ou como eu queria que você entendesse que é linda.

Eu estava conversando com uma amiga ontem, e fiquei perplexa com a dificuldade que tive para fazer com que ela entendesse que era bonita. E eu falhei miseravelmente. Veja bem, eu não estou falando de bonitinha: a Naná, além de ser uma das amigas mais queridas do mundo, companheirona mesmo, é linda. Tipo TOP 5 meninas mais bonitas da nossa sala da faculdade, e olha que eu estudei em um lugar onde todo mundo tinha tempo e dinheiro para investir em vaidade.

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Tenho claro para mim que estou cercada dessas mulheres deslumbrantes, todas tão belas e cheias de brilho que dá gosto viver. Enxergar o belo no alheio, porém, é muito mais fácil. Quando se trata de nós mesmos, que sabemos o quanto consumimos “comida errada”, onde está a espinha inflamada embaixo do corretivo, da celulite perfeitamente oculta na calça larga, aceitar a beleza, a própria beleza, é quase impossível. Somos fiscais da beleza do outro, mas carrascos da nossa própria.

Entendo, porém, que para Nadine (assim como é para mim, diariamente, e para todas as mulheres que eu conheço) se olhar no espelho é mais que um esforço de visão, é um exercício de desapego: Para amar a si mesma, do jeito que somos, não basta procurar a parte mais bonita do nosso corpo. É preciso deixar de lado os modelos que são impostos a nós o tempo todo. Lembrar que o que é considerado perfeição é uma imagem absolutamente inatingível, fruto de uma combinação entre tratamento de imagem e inanição de mulheres.  É um exercício longo demais para um simples reflexo no espelho quando se está correndo, limpando o batom borrado e arrumando a roupa, tudo ao mesmo tempo.

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Mas é preciso. É preciso lembrar que a modelo na revista não é de verdade. A moça no instagram vive de ser bonita, o que também faz com que ela não seja verdadeira. A blogueira gata é rica o suficiente para interferir cirurgicamente no próprio corpo até ficar no padrão-exato-do-que-é-esperado.  A gata de lingerie no desfile passa fome por semanas para que seja possível vermos os contornos de sua caixa torácica. O modelo que tanto queremos alcançar, bem, ele não existe. É uma ilusão. Queria muito fazer com que a Nadine entendesse isso. Com que você – você que está lendo – entendesse que aquilo não existe.

E que mesmo que exista (NÃO EXISTE!) isso não faz de você melhor ou pior ou mais ou menos bonita.  Quando alguém te acha bonita não é porque você tem o corpo da atriz X: é porque você tem o SEU corpo e o SEU corpo é considerado bonito.  Quando alguém fala que o seu sorriso é bonito é porque O SEU SORRISO É BONITO, não porque ele parece com o de alguém que sorri bonito também.  Você é bonita porque é você. Sua beleza não determina se você merece mais ou menos amor.

Eu queria lembrar que as pessoas que te amam não a amam porque você é bonita. Ou porque é linda. Ou porque tem um par de longas pernas, perfeitos seios empinados ou sei lá o que está na moda hoje em dia. Você é amada porque tem alguma mania ridícula. Porque é carinhosa. Porque é gentil e amorosa. Porque faz bolos deliciosos. Porque é bem humorada. Porque é mal humorada. Porque é irônica. Porque não é. Você é amada porque é você. Sua capacidade de seguir um padrão físico não é determinante para que você seja quem você é.

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Por mais que sua forma corporal influencie no seu comportamento, por mais que isso possa atrair mais amizades (nunca verdadeiras!), te colocar de graça na balada, te dar seguidores ou colocar o gato mais maravilhoso do mundo nos seus braços… Não é por isso que você é bela. Eu às vezes também me esqueço de uma das únicas verdades universais: que beleza não é medida só pela simetria entre os olhos, boca, nariz e na correlação altura vezes altura dividida pelo peso.

Beleza é muito mais que pernas da modelo y e boca da atriz x.  A Nadine, por exemplo, move os braços de uma maneira muito graciosa, parece que está sempre inclinando as mãos num passo de dança. Ela também tem esses olhos enormes e expressivos, e é capaz de dizer tanto apenas com um olhar. Tão linda. Enquanto reduzirmos beleza aos padrões específicos do que vemos nas revistas, nos comerciais, enquanto reduzirmos a beleza às fórmulas e números meticulosos e calculados… não vamos ver beleza em lugar nenhum.

Beleza não cabe em números, quilos ou especificidades, e tentar conter a beleza dessa forma só vai fazer com que a real percepção da beleza escape aos nossos olhos. E quando eu olho, eu vejo tanta beleza em você.

Eu queria dizer isso. Para você e para a Nadine.

 

 

ps: A minha amiga Alyce está com um projeto lindo no instagram que fala muito disso. Depois é só procurar em #lindadodia.

ps2: Gostei demais desse post do Just Lia em que a Lia Camargo fala sobre a pressão para ser “magra”, “linda”. Excelente!

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CULPADA: Herbalife!

Sei muito bem que muita gente odeia Herbalife. Eu mesma tenho minhas restrições a eles quanto empresa, à estrutura organizacional, mas, olha, não tem como dizer que não funciona. E tem todo sentido de funcionar: emagrecer, per se, é criar déficit calórico. Com um almoço de pouco mais de 200kcal, fica mais fácil, não?

Eu fui a um espaço pela primeira vez em novembro de 2011: estava desesperada de gorda para ficar mais saudável, dei um google, vi que tinha um lugar que vendia perto de onde eu morava e lá fui eu. Passei a almoçar naquele Espaço todos os dias e ainda tomava o shake de manhã. Emagreci os meus primeiros quilos assim. Depois continuei a reeducação e voltei agora, em maio de 2013, a almoçar no EVS.

Para quem nunca foi, explico como funciona: eles têm uns Espaços para consumo do Shake, que chamam de Espaço Vida Saudável. Geralmente abrem para almoço, mas existem EVS que abrem para café da manhã, almoço e janta. Você chega, paga R$10,00 e tem direito àquilo que eles chamam de “Refeição Nutricional”zzzzZZZZ.

Dois copos gigantes de chá (na verdade um pó que eles dissolvem na água, fica quase um suquinho) e um copo de shake. Só isso. Sim, só isso. Parece pouco? É. Mas eles dizem que tem todos os nutrientes necessários para uma refeição, com baixa caloria. Eu acredito? Sim. Porque não fico com fome imediatamente depois da refeição (se bem que ninguém ficaria com 2lts de água no estômago).

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(Esse foi meu Shake Especial de aniversário. Expressão de alucinada é cortesia da casa)

O que eu mais gosto do Espaço é a convivência: dividir impressões com as pessoas, emagrecimento, ter alguém diferente para conversar e fazer novas amizades são pontos que e valorizo demais como participante do EVS. Quanto a negativo, eu assumo que tem dias que é difícil não querer mastigar. Quando está frio ou chovendo, é duro ter de tomar shake.

Agora, porquê funciona para mim?

Eu gosto demais de comida para conseguir me privar do que gosto o tempo todo. Sou gorda porque gosto de comer, não tem jeito. Tomar o Shake no almoço, por exemplo, retira de mim a culpa se eu decidir jantar um hambúrguer com batata frita, e faz com que eu consiga equilibrar melhor minhas emoções. 

Mas assumo: por mais que eu me esforce, ainda não é uma coisa que eu faço com prazer. Vira e mexe eu peço um shake de arroz, bife e batata frita! 😉

Você já tomou Herbalife? Faz algum tipo de substituição nutricional? Me conta!

 

#VaiMariana

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Bolim, Bolão!

Eu já contei as minhas razões para querer emagrecer. Também expliquei que não quero apenas emagrecer. Estou em uma jornada em busca do meu equilíbrio, do meu bem estar, da minha saúde  e das lingeries bonitas.

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Mas eu tropecei. Todo mundo passa por isso, e, por mais que de boas intenções a academia esteja cheia, o que importa é que eu continuo firme no propósito de ser mais feliz e mais leve (física e emocionalmente), por mais que emagrecer tenha ficado um pouco de lado esses últimos tempos.

É que eu comecei a namorar! Quem quer sair dos braços do amado para ir correr de manhã? Dica: EU NÃO.  Sair para jantar, jantarzinho em casa, brigadeiro com filme, quem resiste? Eu não consegui e não me arrependo NEM UM POUCO. Valeu à pena cada caloria. ❤

Acontece que o Viking (ele realmente parece um Viking <3) vai a academia todo dia. Ele não é fitness, não é musculoso nem nada assim, mas o danado consegue me carregar no colo.  ME CARREGA NO COLO.  Eu sou gordinha, gente, e o danado me coloca nas costas, me carrega no braço!

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Além disso, acontece que EU TENHO CINCO CASAMENTOS nos próximos 4 meses. Casamento de gente querida,  gente amada, aquelas pessoas que você quer ficar bem vestida na foto. O plano para conseguir isso é o mesmo das outras vezes: segurar o impulso de comer tudo que vê pela frente, 1 hora de aeróbico todos os dias e almoço no Espaço Vida Saudável. Quero perder 8kg até o fim de setembro. Uma meta ambiciosa, mas que ia me deixar felizona e segura para dançar até o chão.

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Tenho dessa vez um incentivo ainda maior. Um incentivo enorme. DINHEIRO. DINHEIRO SENHORES. Vi na internet (aqui ó http://youpix.com.br/news/e-de-emagrecimento-usa-apostas-para-motivar-seus-usuarios/) um site de apostas para emagrecer. Funciona assim: todo mundo dá um valor, quem perder pelo menos 4% do peso leva. Ao vencedor, as batatas o dinheiro.

ORA, por quê não? Combinei com um amigo, o Vinicius, R$5 por semana. Daqui a um mês, nos pesaremos juntos de novo e aí, pronto. Como estamos em dois, quem perder mais leva.  A grana é pouca, mas se funcionar, vou chamar mais gente da próxima vez!

Agora vai, Mariana!!!!

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